Afastado da vida pública há 15 anos, o ex-governador José Roberto Arruda ressurge como principal ameaça à candidatura de Celina Leão, vice-governadora apoiada pelo governador Ibaneis Rocha. Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada nesta terça-feira revela a magnitude do avanço: entre agosto e outubro de 2025, Arruda cresceu 13,8 pontos percentuais na estimulada para o primeiro turno, passando de 16% para 29,8% das intenções de voto. Já Celina, desabou de 37,2% para 32,2%. Ou seja, o que era uma vantagem de mais de 21 pontos há dois meses, hoje é uma situação de empate técnico, visto que a margem de erro da pesquisa é de 2,6 pontos para mais ou para menos.
Quando os brasilienses foram questionados sobre um eventual segundo turno entre Arruda e Celina, também houve empate técnico. Celina Leão marca 42,5% e Arruda tem 42,4%, dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais. O que era uma campanha com vencedor definido em agosto transformou-se em disputa aberta.
Os apoiadores de Ibaneis tem tratado de espalhar a informação de que Arruda continua inelegível, por causa das condenações que sofreu a partir da Operação Caixa de Pandora, em 2009. Recentemente, porém, o Congresso Nacional aprovou mudanças na Lei da Ficha Limpa. Ao sancioná-las, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou uma série de afrouxamentos, mas manteve outros. Os que foram mantidos, dizem juristas como o advogado Francisco Caputo Neto, ex-presidente da OAB-DF, dão a Arruda o direito de se candidatar. Logo, ele está elegível.
É certo que a eventual candidatura sofrerá pedidos de impugnação lá na frente e que o assunto será mais uma vez decidido nos tribunais superiores.

O vácuo que Arruda preencheu
O movimento de queda de Celina não foi acompanhado por crescimento de candidatos alternativos ou dispersão para “branco/nulo”. Os números sugerem que os votos que saíram de Celina migraram majoritariamente para Arruda.
A dinâmica revela um eleitorado do Distrito Federal em movimento. Apesar de Ibaneis Rocha contar com aprovação sólida 61% aprovam seu governo a candidatura de sua vice não consegue capitalizar essa vantagem. Ao contrário: quanto mais próxima está Celina de Ibaneis, mais votos ela perde para Arruda.
A rejeição idêntica
Um dado que amplifica a ameaça a Celina é a rejeição praticamente equivalente. Arruda tem 16,5% de rejeição no eleitorado do DF, exatamente a mesma taxa de Celina Leão. Isso significa que o ex-governador não carrega um “teto de rejeição” mais alto que sua concorrente um fator que poderia ter limitado seu crescimento. Com rejeição equivalente, Arruda tem espaço real para continuar avançando conforme a campanha se intensifica.
Para Celina, esse é o cenário mais preocupante: não há um fator estrutural que a proteja de novos avanços de Arruda. Se o ex-governador conseguir mobilizar mais eleitores entre outubro e dezembro, a vantagem dela no primeiro turno pode simplesmente desaparecer.

O contexto nacional como pano de fundo
A pesquisa também captura o contexto político nacional. O presidente Lula tem 38,3% de aprovação no Distrito Federal com 58,8% de desaprovação. Esse índice negativo oferece oportunidade política para candidatos que consigam se posicionar como alternativa ao governo federal. Arruda, historicamente ligado à direita, pode estar capitalizando esse sentimento.
Terceiros candidatos fora do jogo
Ricardo Cappelli, que também aparece nos cenários da pesquisa, tem rejeição de 25,4% 9 pontos percentuais acima de Arruda e Celina. Esse patamar de rejeição o coloca fora do jogo principal. A disputa pelo governo do DF, pelos números, é duel entre dois nomes: Arruda e Celina.
Metodologia
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas entre 23 e 27 de outubro de 2025, com 1.506 eleitores do Distrito Federal. O grau de confiança é de 95%, com margem de erro de ±2,6 pontos percentuais.
O que vem aí
Os próximos meses serão decisivos. Arruda chegou à reta final da pré-campanha como um fenômeno político o candidato que ninguém esperava, crescendo contra a máquina oficial. Celina, por sua vez, enfrenta o desafio de interromper a hemorragia de votos e se reposicionar. A aprovação de Ibaneis ainda é um ativo, mas claramente insuficiente para blindar sua vice. A pesquisa mostra um Distrito Federal em ebulição política. Arruda provou que estava errado quem o havia escrito fora do jogo.






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