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GEOPOLÍTICA

Países disputam futuro climático do planeta

Cúpula da Amazônia começa sob pressão por transição dos fósseis em meio urgência de evitar um aquecimento de 2,7°C

A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que terá início em 10 de novembro na capital paraense, Belém, chega carregada de expectativas e desafios monumentais. Com a floresta amazônica como pano de fundo, a cúpula climática global se debruça sobre dois eixos centrais: a implementação das promessas passadas e a verdade sobre a real capacidade global de conter a crise climática.

A urgência é palpável, dado que as atuais políticas e compromissos ainda nos conduzem a um cenário de aquecimento global de 2,7°C, muito além da meta de 1,5°C estabelecida pelo Acordo de Paris. O papel do Brasil, anfitrião e detentor de parte vital da maior floresta tropical do mundo, será crucial em um xadrez geopolítico complexo, que exige liderança e soluções concretas em face da inércia internacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado sua pressão por uma transição global dos combustíveis fósseis. Lula defende que nações ricas, historicamente as maiores emissoras, liderem o processo de descarbonização, abrindo espaço para um desenvolvimento mais limpo em países emergentes. Embora o Brasil ainda lide com a ambiguidade de seus próprios planos de exploração de petróleo, especialmente na Margem Equatorial, a posição do presidente busca conferir ao país um protagonismo diplomático.

A postura brasileira será observada de perto, especialmente após o histórico da COP28, que pela primeira vez incluiu uma menção explícita à necessidade de transição para longe dos combustíveis fósseis, mas sem prazos vinculativos. A COP30 deve aprofundar este debate, buscando mecanismos e compromissos mais firmes para a efetiva descontinuidade do uso de petróleo, gás e carvão, essenciais para evitar os piores cenários climáticos.

Um dos pilares da agenda da COP30 será a insuficiência das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são as metas climáticas de cada país. O Balanço Global (Global Stocktake) da COP28 confirmou que os compromissos atuais são lamentavelmente inadequados para alcançar o objetivo de 1,5°C. A ciência é clara: o mundo precisa reduzir as emissões em 43% até 2030 para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C, mas as NDCs atuais nos colocam em uma trajetória de aumento.

A cúpula de Belém terá a responsabilidade de fomentar um aumento significativo na ambição das NDCs, com países sendo instados a apresentar metas mais ousadas e planos mais detalhados para sua implementação, incluindo políticas setoriais e investimentos em tecnologias verdes, a fim de preencher a lacuna entre as promessas e a realidade necessária para a sobrevivência planetária.

O gargalo do financiamento climático emerge como um dos pontos mais espinhosos. Desenvolvidos prometeram US$ 100 bilhões anuais para nações em desenvolvimento até 2020, uma meta que só foi atingida consistentemente em anos recentes, com anos de atraso. Agora, a discussão gira em torno de uma Nova Meta Coletiva Quantificada sobre Financiamento Climático (NCQG), que deverá substituir o compromisso anterior.

Países em desenvolvimento pleiteiam um valor significativamente maior: cerca de US$ 1,3 trilhão por ano até 2030, um salto monumental em relação aos aproximadamente US$ 300 bilhões atualmente aportados. A operacionalização e o aporte substancial de recursos para o Fundo de Perdas e Danos, aprovado na COP28, também são cruciais para reparar os impactos já sentidos pelas nações mais vulneráveis. Sem financiamento adequado e acessível, os demais objetivos da agenda climática permanecerão no campo das promessas vazias, alimentando a desconfiança entre Norte e Sul global.

A preservação de florestas, com a Amazônia em destaque, será um tema central para o anfitrião. O Brasil busca liderar discussões sobre a valorização e proteção das florestas tropicais, não apenas como sumidouros de carbono, mas como fontes de biodiversidade e meios de subsistência. Uma proposta-chave do governo brasileiro é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, um mecanismo de financiamento permanente que visa garantir a conservação de longo prazo, possivelmente integrando novos mercados de carbono e créditos de biodiversidade.

A ideia é criar um novo paradigma econômico que remunere a floresta em pé e os povos que dela dependem, combatendo o desmatamento e promovendo a bioeconomia. A COP30, sediada na Amazônia, oferece uma plataforma única para solidificar essas iniciativas e mobilizar apoio global para a conservação florestal.

A adaptação às consequências inevitáveis das mudanças climáticas, independentemente dos esforços de mitigação, é outra prioridade. Embora o Objetivo Global de Adaptação (OGA) tenha sido estabelecido, a COP30 enfrentará o desafio de definir metas e indicadores claros para sua implementação. Os impactos do clima já são uma realidade para milhões de pessoas, especialmente em regiões costeiras, ilhas e países com economias dependentes da agricultura.

A cúpula precisa avançar na formulação de planos de adaptação concretos, que incluam sistemas de alerta precoce, infraestruturas resilientes e apoio financeiro para que as comunidades possam se ajustar aos novos padrões climáticos. A medição do progresso em adaptação e a garantia de que os recursos cheguem onde são mais necessários serão pontos críticos para o sucesso da conferência.

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