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VIDA

Governo Lula entra em cena contra PL da Pedofilia

Extrema direita tenta aprovar lei em que meninas de 14 anos grávidas não podem receber protocolos de interrupção da gestação

Dois ministérios do governo federal se uniram para condenar a aprovação de um projeto que torna mais difícil o aborto legal para meninas vítimas de estupro. Os Ministérios dos Direitos Humanos e Cidadania e das Mulheres disseram que o projeto não tem fundamento legal e que estão trabalhando para impedi-lo.

O projeto aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (5) — chamado de Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025 — suspende diretrizes que protegem meninas estupradas. Ele também impede campanhas do governo contra casamento infantil.

Em nota conjunta, os ministérios afirmaram: “O corpo de uma criança não suporta uma gravidez, e nenhuma gestação em crianças, situação de extrema vulnerabilidade deveria sequer ocorrer. Entendemos que o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) atuou dentro dos limites de sua competência legal e democrática, com participação da sociedade civil”.

Por que isso importa

A resolução do Conanda — que começou a valer em janeiro deste ano — reconhece que gravidez em crianças e adolescentes “representa risco à saúde física, psicológica e mental que pode resultar em impactos sociais no seu pleno desenvolvimento, aumento de adoecimento, incapacidade e mortes”. O documento também diz que interromper a gravidez legalmente para essas meninas “constitui parte das ações de prevenção à morbidade e mortalidade”.

Os ministérios alertam que estão “preocupados com a aprovação do PDL na Câmara” e trabalham para “fazer chegar aos parlamentares o posicionamento técnico sobre a proposição”.

Os números são alarmantes

Entre 380 mil e 400 mil partos de mães com até 19 anos acontecem anualmente no Brasil. Segundo o Anuário 2025 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dos cerca de 87,5 mil casos de estupro registrados em 2024, 77% foram contra vítimas vulneráveis.

Crianças e adolescentes são a maioria das vítimas, com quase 42 casos por 100 mil habitantes. O maior percentual de estupros acontece com meninas entre 10 e 13 anos (33%), seguidas por crianças entre 5 e 9 anos (18%), adolescentes entre 14 e 17 anos (16%) e crianças de zero a 4 anos (10%).

Reação nas redes

Desde a aprovação do projeto, movimentos sociais, entidades e lideranças políticas protestam contra a decisão dos parlamentares. Os ministérios dizem que estão buscando articulação junto ao Congresso Nacional para barrar a tramitação do projeto.

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