O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou parcialmente nas tarifas agrícolas que havia ameaçado impor globalmente. Porém, mantém uma sobretaxa de 40% contra o Brasil uma estratégia que o governo brasileiro vincula diretamente à negociação de acesso às terras raras, minerais essenciais para tecnologia avançada.
As tarifas contra o Brasil foram anunciadas em 9 de julho, com Trump justificando a medida como retaliação ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os EUA e de lá articula retaliações ao Brasil, afirmou que soubera antecipadamente sobre as tarifas e apoiou publicamente a decisão de Trump.
A verdadeira moeda de troca
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi direto ao ponto: a “ingerência dos EUA na vida política do Brasil tem a ver com terras raras”. Haddad admitiu que o Brasil pode negociar minerais críticos e terras raras com os EUA como parte das negociações para reverter as tarifas.
Geraldo Alckmin, vice-presidente em exercício, confirmou que as negociações devem incluir “terras raras, agronegócio e data centers”. Em outubro de 2025, o secretário de Estado americano Marco Rubio e o ministro das Relações Exteriores brasileiro Mauro Vieira discutiram a redução das tarifas e a cooperação em minerais críticos.
Minerais de terras raras são essenciais para fabricação de smartphones, baterias de veículos elétricos, sistemas de defesa e tecnologia aeroespacial. Os EUA têm enfrentado dificuldades para garantir fornecimento estável. A China, maior fornecedora mundial, controla cerca de 60% do mercado e tem restringido sistematicamente as exportações.
O investimento americano em terras raras brasileiras
Os EUA já demonstraram interesse concreto nas terras raras brasileiras. O governo americano financiou um projeto de terras raras em Goiás com US$ 465 milhões, buscando ajudar a cobrir melhorias na mina Pela Ema da Serra.
Haddad destacou que o Brasil possui reservas significativas de terras raras e pode fazer acordos de cooperação com os EUA para a produção de baterias mais eficientes. “O Brasil quer parcerias com os EUA, mas não na condição de satélite ou colônia”, afirmou Haddad, ressaltando a importância de manter a soberania nacional.
A estratégia de Trump
O cálculo é claro: manter as tarifas contra o Brasil até que Lula concorde em ceder acesso às terras raras em troca da retirada das sobretaxas. É uma negociação clássica de geopolítica usar pressão econômica para obter recursos estratégicos.
O Senado dos EUA aprovou em 28 de outubro um projeto de lei que anula as tarifas adicionais de 40% impostas por Trump sobre produtos brasileiros. Porém, Trump mantém os 40% de sobretaxa, sinalizando que a negociação sobre terras raras continua em andamento.
O contexto geopolítico maior
A disputa por terras raras é parte de uma guerra geopolítica maior entre EUA e China. Trump está tentando reduzir a dependência americana das terras raras chinesas. Em 2025, Pequim anunciou novas restrições à exportação de terras raras para usuários militares e do setor de semicondutores.
O Brasil se vê no meio dessa disputa. Tem terras raras que os EUA querem. Tem também a China como mercado alternativo para suas exportações agrícolas. As exportações brasileiras para a China estão crescendo, compensando as perdas nos EUA causadas pelas tarifas.






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