Depois de quase três horas de sabatina nesta terça-feira (25), a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou Nelson Souza para assumir a gestão do Banco de Brasília (BRB). Foram 16 votos favoráveis e seis contrários.
Os deputados Max Maciel (Psol), Fábio Félix (Psol), Gabriel Magno (PT), Chico Vigilante (PT), Ricardo Vale (PT) e Dayse Amarílio (PSB) votaram contra a indicação. O nome dele ainda deve ser aprovado pelo Banco Central.
Souza foi indicado à presidência do BRB pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). O nome foi cotado após o afastamento de Paulo Henrique Costa do cargo, motivado pela Operação Compliance Zero, que apura indícios de fraude financeira envolvendo o Banco Master e o BRB.
A sessão foi marcada por distintas manifestações de pessoas que acompanharam pela galeria, espaço reservado ao público externo. Durante a votação, parlamentares da oposição defenderam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.
A deputada Dayse Amarílio (PSB) apontou incoerência da casa ao votar a indicação de um novo presidente sem a investigação apropriada da fraude no Master. “Mais na frente nós seremos cobrados. Então, que os deputados possam ser sensibilizados [para a instalação da CPI]. Se o governo não tem nada a ver, não tem problema. Mas a CPI é necessária porque a gente vê indícios reais de corrupção, fraude e lavagem de dinheiro”, frisou.
Sabatina
Anterior à votação no plenário, Nelson passou por uma sabatina na Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF), no qual parlamentares puderam fazer indagações. O colegiado é formado pelos deputados Eduardo Pedrosa (União Brasil), Jorge Vianna (PSD), Jaqueline Silva (MDB), Paula Belmonte (Cidadania) e Joaquim Roriz Neto (PL). Todos aprovaram a indicação do novo chefe da instituição.
A polêmica financeira envolvendo o Banco Master e o BRB foi o tema principal. Ao ser questionado pelo deputado Jorge Vianna (PSD) se compraria a instituição caso fosse responsável pela gestão, Souza se limitou a dizer que este tipo de transação é “normal” no mercado financeiro.
“Qualquer compra de Banco é normal no mercado, o que precisa é austeridade. O que eu posso dizer é que uma operação de compra e venda de banco é uma operação amplamente feita no mundo inteiro, não é diferente do Brasil. E o Brasil tem um sistema financeiro muito robusto e muito sólido”, disse.
Sobre a possível instalação de uma CPI para investigação das transações entre Master e BRB, ele afirmou que estaria à disposição da Casa Legislativa. Souza prometeu fazer uma gestão técnica, mas sem deixar de lado a “dimensão política”.
“A dimensão técnica financeira não admite desaforo. E a dimensão política precisa ser ouvida e é por isso que eu estou aqui que essa casa está aprovando o meu nome”, explicou.
Antes das perguntas dos deputados, o bancário detalhou sua trajetória profissional como dirigente de outras instituições como o Banco Nordeste e a Caixa Econômica Federal. Além disso, alegou que pretende fortalecer o BRB e “conduzi-lo ao protagonismo”.
“Quero fazer um BRB ainda maior e reafirmo que pode contar comigo com a minha experiência e a disposição para o diálogo e com o meu compromisso com o interesse público para conduzir o banco ao protagonismo que ele merece”, afirmou.
Indicação
O atual chefe do BRB destacou que a indicação partiu do governador Ibaneis Rocha (MDB). “Quem me indicou é quem tem a competência para isso: governador Ibaneis”, ressaltou.
A resposta veio após o questionamento do deputado distrital Fábio Félix (Psol) sobre quem teria o nomeado ao cargo. O distrital também indagou sobre a suposta ligação do sabatinado com o senador Ciro Nogueira (PP). Souza, por sua vez, disse que tem relação com o congressista, mas que não foi fator determinante. “O Ciro é do Piauí. Eu também sou do Piauí. O importante é separar uma coisa da outra”, se explicou.
Fonte: Brasil de Fato






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