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Boicote a chinelo teve 150% mais notícias que escândalo dos R$ 400 mil

Análise em portais de notícias revela como a "guerra cultural" bolsonarista gera mais engajamento e cobertura midiática do que uma denúncia de corrupção

O que chama mais a atenção da imprensa e do público brasileiro: um escândalo de corrupção envolvendo o deputado federal líder do PL e mão política do pastor ultraconservador Silas Malafaia ou um boicote a uma marca de chinelos? Uma análise da Frente Livre nos cinco maiores portais de notícias do país revela uma resposta contundente: a “guerra cultural” vende mais, muito mais. O boicote bolsonarista às Havaianas gerou 150% mais notícias nas primeiras 48 horas do que a revelação de que R$ 400 mil em dinheiro vivo foram encontrados dentro de um saco de lixo na casa do deputado Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ).

Os dois eventos ocorreram com apenas sete dias de diferença em dezembro. No dia 15, surgiu a notícia sobre o dinheiro de Sóstenes. No dia 22, iniciou-se a campanha contra as Havaianas após uma propaganda com a atriz Fernanda Torres.

O levantamento mostra que, nas 48 horas seguintes à primeira notícia de cada caso, o escândalo de Sóstenes Cavalcanti rendeu 10 matérias nos principais portais. No mesmo período, o boicote às Havaianas foi tema de 25 reportagens, uma disparidade que expõe o que realmente move a máquina de cliques no jornalismo brasileiro.

A pesquisa da Frente Livre foi feita em cinco dos maiores portais de notícias do país — G1, UOL, Folha de S.Paulo, Estadão e Metrópoles. Foram levadas em conta apenas reportagens originais e análises onde os casos eram o tema principal, excluindo as notas secundárias e repetições.

Por que uma polêmica rende mais que um escândalo?

A explicação para essa desproporção não está na importância dos fatos, mas na sua “rentabilidade” como produto jornalístico. O boicote às Havaianas é um exemplo perfeito de pauta que alimenta a lógica da “guerra cultural”, por várias razões:

  1. Transborda as editorias: Enquanto o caso do dinheiro se limita à editoria de Política, a polêmica do chinelo se espalhou por Economia (ações da Alpargatas), Cultura (Fernanda Torres), Comportamento (redes sociais) e Marketing. Mais editorias, mais matérias, mais cliques.

  2. A força da polarização: A narrativa do boicote é simples e emocional: “nós contra eles”, “direita vs. esquerda”. Ela se encaixa perfeitamente na polarização que domina o país e gera engajamento imediato. Um escândalo de corrupção é mais complexo e menos passional.

  3. Potencial viral: A história do boicote veio com um pacote visual irresistível para a internet: o comercial da marca e, principalmente, o vídeo de Eduardo Bolsonaro jogando as sandálias fora. O caso do dinheiro, por sua vez, é abstrato e carece de um apelo visual tão forte.

O resultado é um retrato fiel do debate público atual. A polêmica de costumes, com seus personagens conhecidos e sua narrativa maniqueísta, tornou-se um produto de consumo muito mais eficiente do que a apuração jornalística de um escândalo político clássico. A cobertura midiática, refém da lógica do engajamento, apenas reflete e amplifica essa realidade.

Dito isto, atrás de Sóstenes…

O furor em torno do boicote às Havaianas já entrou em sua espiral decrescente, como era de se esperar. Porém, a investigação sobre Sóstenes está longe do fim. 

O dinheiro vivo encontrado no apartamento do deputado em Brasília fez parte da Operação Galho Fraco. Por ela, a Polícia Federal investiga o crime de peculato, isto é, roubo de dinheiro público. No caso de Sóstenes, a suspeita é de que ele tenha desviado para o próprio bolso verbas da Câmara dos Deputados que deveriam estar pagando pelo aluguel de veículos usados no exercício do mandato. 

Horas depois da Operação Galho Fraco, Sóstenes apareceu no Salão Verde da Câmara, de mãos dadas com a deputada ultra-bolsonarista Bia Kicis (PL-DF), e forneceu uma explicação tresloucada. Disse que o dinheiro era fruto do pagamento pela venda de um imóvel em Minas Gerais. E que não tivera tempo de depositá-lo no banco. Não disse quando teria sido feita a venda, muito menos a quem, pago onde, como e qual o valor total da operação, muito menos o endereço do dito imóvel. 

Já Fernanda Torres… Bom, ela quer que os brasileiros entrem com os dois pés em 2026. 

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