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BRASIL

Até o conservadoríssimo Estadão bate em Bolsonaro e descarta anistia

Patranhas do ex-presidente seriam apenas irrelevantes caso se resumissem a ele e ao clã Bolsonaro

O jornal O Estado de S. Paulo publicou no sábado (12) um editorial em que critica o ex-presidente Jair Bolsonaro e a discussão sobre anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. O texto argumenta que o país deveria priorizar desafios urgentes, como a crise global e problemas internos, em vez de se concentrar em “manobras para driblar a lei”.  

Principais pontos do editorial:  

1. Foco equivocado: O jornal considera que Bolsonaro, atualmente hospitalizado, está mais preocupado com sua absolvição do que com os golpistas do 8 de janeiro.  

2. Piada de mau gosto: O ex-presidente teria minimizado uma possível revisão da dosimetria de suas penas pelo STF, preferindo defender uma “anistia ampla, geral e irrestrita”.  

3. Crítica à agenda política: O texto questiona por que o tema da anistia ainda é discutido diante de crises globais e problemas domésticos urgentes.  

4. Reunião questionável: O jornal também critica o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), por se reunir com Bolsonaro e defender uma “solução negociada” para reduzir penas dos condenados.  

O editorial reflete a posição do Estadão, tradicionalmente conservador, que agora adota um tom crítico em relação a Bolsonaro e seus aliados. O jornal também faz um paralelo entre o ex-presidente brasileiro e Donald Trump, destacando que ambos contribuíram para cenários de instabilidade política.  

Frase de destaque:  

“Enquanto o mundo derrete em meio à confusão escabrosa criada por Trump, ídolo de Bolsonaro, o ex-presidente mobiliza forças para driblar a lei e libertar os que conspiraram contra a democracia.”  



Confira o editorial na íntegra:

Bolsonaro atrapalha o Brasil

As forças políticas deveriam se preocupar com a crise global, e não com “anistia” de Bolsonaro. Está na hora de deixar a Justiça cuidar do ex-presidente. O Brasil tem mais o que fazer

Jair Bolsonaro – aquele que é, segundo seus bajuladores, o “grande líder da direita no Brasil”, timoneiro do PL, o maior partido da Câmara – não tem nada a dizer sobre a profunda crise mundial deflagrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Nada. Seu único assunto é o tal de “anistia” para os golpistas do 8 de Janeiro – e, por extensão, para si mesmo. Enquanto o mundo derrete em meio à confusão escabrosa confusão criada por Trump, aliás ídolo de Bolsonaro, o ex-presidente mobiliza forças políticas para encontrar meios de driblar a lei e a Constituição e livrar da cadeia os que conspiraram para destruir a democracia depois das eleições de 2022, sob sua liderança e inspiração.

Admita-se que talvez seja melhor mesmo que Bolsonaro não dê palpite sobre o que está acontecendo, em primeiro lugar porque ele não saberia o que dizer nem o que propor quando o assunto é relações internacionais. Recorde-se que, na sua passagem vergonhosa como chefe de Estado em encontros no exterior, ele só conseguiu falar com os garçons. Mas o ex-presidente poderia, neste momento de graves incertezas, ao menos mostrar algum interesse pelo destino do país que ele diz estar “acima de tudo”. No entanto, como sabemos todos os que acompanhamos sua trajetória política desde os tempos em que era sindicalista militar, o Brasil nunca foi sua prioridade.

Mas o Brasil deveria ser prioridade de todos os demais. O tema da “anistia” não deveria nem sequer ser discutido por gente seria frente não só às turbulências globais do momento, mas a problemas brasileiros incontornáveis ??que afligem de fato a população – como a inflação, a violência, a saúde pública, os desafios educacionais, os caminhos para garantir o desenvolvimento em bases sustentáveis ??ou os efeitos das mudanças climáticas sobre a vida nas florestas e nas cidades.

Infelizmente, num Congresso que se mobiliza de verdade quase sempre apenas para asssegurar verbas e cargos, Bolsonaro está em seu meio. Parece intuir que a liderança que exerce sobre sua numerosa base popular basta para submeter os políticos pusilânimes a seus caprichos pessoais, e é por isso que o ex-presidente dobrou a aposta, lançando repto às instituições, reafirmando-se como candidato à Presidência – apesar de sua inelegibilidade – e convocando os potenciais herdeiros políticos para se tornarem cúmplices de seus ataques à democracia.

Bolsonaro está a todo vapor: além de mobilizar parlamentares da oposição e fazer atos públicos e declarações quase diárias sobre o tema, reuniu-se fora da agenda oficial com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para pressioná-lo a colocar em votação a tal “anistia”. Embora esteja resistindo, o presidente da Câmara iniciou conversas com membros do governo e do Supremo Tribunal Federal (STF), pregando uma solução negociada entre os Poderes para reduzir a pena dos condenados pelo 8 de Janeiro com o objetivo de “pacificar” o País. Como demonstra não se preocupar de fato com a massa de vândalos do 8 de Janeiro e sim com a própria absolvição, Bolsonaro chegou a minimizar a importância de uma eventual revisão da dosimetria pelo STF. Disse que só lhe interessa a “anistia ampla, geral e irrestrita” – obviamente uma piada de mau gosto.

Já que a maioria dos brasileiros é contra a anistia, segundo pesquisas recentes, as patranhas do ex-presidente seriam apenas irrelevantes caso se resumissem a ele e ao clã Bolsonaro. Mas é perturbador observar que algumas das principais autoridades do Brasil estão realmente se dedicando ao tema. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por exemplo, encontrou tempo em sua decerto atarefada rotina para ligar pessoalmente a todos os deputados do seu partido com o objetivo de convencê-los a comunicar o requerimento de urgência para o projeto de anistia, como se isso fosse de fato relevante para os paulistas.

Não é. Se Bolsonaro for condenado e preso, e se os golpistas forem todos punidos, rigorosamente nada vai mudar no País. No entanto, se as forças políticas do Brasil não se mobilizarem rapidamente para enfrentar o novo e turbulento mundo que acaba de surgir, aí, sim, os brasileiros sofrerão todos. Está na hora de deixar a Justiça cuidar de Bolsonaro e seguir adiante. O Brasil tem mais o que fazer.


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