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BRASIL

Bolsonaro tenta bancar o estadista e acaba virando piada em pleno STF

Réu por tentativa de golpe, ex-presidente se contradiz, elogia Moraes e vira meme nos bastidores

Na tarde desta segunda-feira (10), Jair Bolsonaro protagonizou um dos episódios mais insólitos da história política recente do Brasil. Réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente depôs presencialmente na sala de sessões da Primeira Turma, em um interrogatório transmitido ao vivo pela TV Justiça — e, claro, viralizado nas redes. Ao invés de se defender com seriedade, Bolsonaro oscilou entre evasivas, piadas sem graça e até um convite constrangedor ao ministro Alexandre de Moraes: “O senhor podia ser meu vice em 2026.”

A sessão faz parte do processo criminal que investiga o plano arquitetado pela alta cúpula do governo Bolsonaro para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. Além de Bolsonaro, são réus generais de alta patente, ex-ministros e aliados do chamado “núcleo duro” do bolsonarismo. Todos são acusados pelos mesmos cinco crimes, com penas que podem ultrapassar 40 anos de prisão.

Durante o depoimento, o ex-presidente tentou se afastar das acusações dizendo que os debates sobre intervenção militar eram apenas “discussões teóricas, dentro das quatro linhas da Constituição”. Reclamou da multa de quase R$?23 milhões aplicada pelo TSE ao PL e afirmou que “alternativas constitucionais” foram debatidas com comandantes das Forças Armadas. Segundo ele, jamais houve um plano efetivo de golpe.

A tentativa de se passar por moderado, no entanto, escorregou no próprio ridículo. Em certo momento, Bolsonaro minimizou seus ataques às urnas eletrônicas dizendo que “apenas levantava dúvidas legítimas”, ignorando o impacto de suas falas nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. E, sem qualquer noção do contexto, pediu desculpas a Moraes pelas declarações anteriores — logo antes de chamá-lo, em tom de pilhéria, para ser seu vice na próxima eleição.

O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, respondeu com ironia contida, mas o clima no plenário era de incredulidade. Integrantes da imprensa comentaram em off que o ex-presidente parecia mais preocupado em “lacrar” para sua base nas redes sociais do que apresentar argumentos jurídicos. Para os analistas políticos, a estratégia é clara: Bolsonaro aposta na teatralidade bufônica como forma de deslegitimar o processo e manter seu capital político entre os radicais.

Enquanto isso, o Brasil assiste, pela primeira vez, a uma audiência do STF que reúne presencialmente um ex-presidente e seus ex-comandantes militares, todos réus por tentar sabotar a democracia. Os depoimentos seguem até sexta-feira (14), quando a Primeira Turma poderá determinar novas diligências ou abrir prazo para as alegações finais.


[Julgamentos de ex-líderes golpistas pelo mundo]

País Réu Tribunal Consequência
Brasil Jair Bolsonaro Supremo Tribunal Federal (STF) Réu por golpe; risco de até 43 anos de prisão
EUA Donald Trump Cortes estaduais e federais Réu em 91 acusações; julgamento eleitoral em andamento
Bolívia Jeanine Áñez Tribunal de Justiça Condenada a 10 anos por golpe de 2019
Peru Pedro Castillo Corte Suprema Preso por tentativa de dissolver o Congresso

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