Como fez com o Brasil, o presidente dos EUA, Donald Trump, também usou o mercado interno para tentar pressionar a China no início deste ano. Aqui, a justificativa para a restrição às exportações é uma amalucada e estapafúrdia tentativa de livrar Jair Bolsonaro do processo por golpe de Estado. Lá, a “desculpa” era igualmente estranha: o comabte ao fluxo de fentanil e outras drogas ilícitas compradas pelos americanos.
Apesar da fanfarronice de Trump ao anunciar as tarifas contra a China, o gigante asiático reagiu com reciprocidade: taxou de volta as exportações americanas e impôs restrições ao comércio de terras raras, insumo essencial da indústria de tecnologia. O resultado foi uma espécie de rendição dos EUA, que veio na forma de discretas negociações feitas na Suíça.
Conheça a seguir os detalhes dessa história.
Escalada de Tarifas e Retaliações no Início de 2025
O ano começou com uma nova rodada de imposições tarifárias por parte dos Estados Unidos, sob a justificativa de combater o fluxo de fentanil e outras drogas ilícitas.
- 1º de fevereiro de 2025: O presidente dos EUA assinou uma ordem executiva impondo uma tarifa adicional de 10% sobre todas as importações da China, com efeito a partir de 4 de fevereiro. Esta medida também encerrou a isenção “de minimis” para bens chineses de baixo valor.
- 4 de março de 2025: Uma tarifa adicional de 10% sobre todas as importações chinesas foi anunciada, elevando ainda mais a pressão.
- 2 de abril de 2025: A escalada atingiu um ponto crítico com o anúncio do “Tariff Liberation Day” pelos EUA, que incluiu uma tarifa adicional de 34% sobre produtos chineses, somando-se às tarifas existentes e elevando a taxa total para 54%.
- Em resposta, a China agiu rapidamente:
- 4 de abril de 2025: Anunciou uma tarifa de 34% sobre importações dos EUA.
- 9 de abril de 2025: Elevou suas tarifas para 84%.
- Durante o mês de abril de 2025, as tarifas dos EUA sobre a China atingiram um pico de 125% e até 145%, enquanto as tarifas chinesas sobre produtos americanos alcançaram 125%.
- Além das tarifas gerais, os EUA também aumentaram as tarifas da Seção 232 (aço e alumínio) para 50% a partir de 4 de junho de 2025. O Departamento de Comércio dos EUA anunciou novas expectativas de conformidade de exportação relacionadas à inteligência artificial em maio.
- A China, por sua vez, impôs restrições à exportação de sete tipos de metais de terras raras em 4 de abril, exigindo licenças para exportação, uma medida estratégica dada a importância desses materiais para a tecnologia global.
Negociações e Desescalada em 2025
Diante da intensa escalada e do impacto econômico sentido por ambos os lados, a busca por negociações se tornou imperativa.
- 12 de maio de 2025: Após uma série de reuniões de alto nível em Genebra, EUA e China anunciaram uma redução mútua e significativa nas medidas comerciais. As tarifas dos EUA sobre produtos chineses foram reduzidas de 145% para 30%, enquanto as tarifas chinesas sobre bens americanos caíram de 125% para 10%. Este acordo também incluiu uma pausa de 90 dias em outras barreiras comerciais e uma emenda às regras “de minimis” para remessas de baixo valor da China.
- 9 e 10 de junho de 2025: As negociações continuaram em Londres, onde autoridades de ambos os países concordaram em uma estrutura para manter os termos do acordo de Genebra. Embora os detalhes completos não tenham sido divulgados, o Presidente dos EUA declarou que um “grande acordo” havia sido feito, com a China se comprometendo a fornecer terras raras e os EUA a suspender algumas contramedidas restritivas que afetavam o acesso chinês a certos componentes de alta tecnologia.
- 27 de junho de 2025: Um novo acordo foi anunciado para desescalar as tensões comerciais, com a China confirmando que revisaria e aprovaria aplicações de exportação para itens controlados, e os EUA levantariam uma série de medidas restritivas.
A “capitulação” e o cenário atual de 2025
A “capitulação”, ou “rendição” dos EUA vem sendo minimizada e enfeitada desde então. As tarifas foram drasticamente reduzidas de seus picos de abril — embora ainda permaneçam em um patamar considerável, girando em torno de 55%, o que consiste em uma tarifa base de 10%, 20% para fentanil e 25% das tarifas da Seção 301. A China, por sua vez, mantém suas tarifas em 10% sobre bens americanos.
A desescalada pode ser vista como um compromisso mútuo e pragmático, impulsionado pelos custos econômicos significativos para ambos os lados. Em maio de 2025, as importações marítimas dos EUA da China caíram 28,5%, e as exportações da China para os EUA caíram US$ 15,2 bilhões no mesmo mês. O Banco Mundial, inclusive, reduziu sua previsão de crescimento global para 2025 para 2,3% devido à turbulência comercial.






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