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Uma das obras em exposição na Tara Downs, na Broadway, em Nova York. Foto: Continente Multicultural
CULTURA & ENTRETENIMENTO

Artes visuais em NY recebem obra potente de Lu Ferreira

Mostra do recifense conecta sincretismo, jazz e crítica social

O artista visual pernambucano Lu Ferreira, natural da Muribeca, inaugura nesta sexta-feira (1º), a exposição individual “Estranhas Luzes no Bosque” na Tara Downs, localizada no distrito da Broadway, em Nova York. A mostra reúne 27 obras e segue em cartaz até o dia 6 de junho, marcando mais um passo na trajetória internacional do artista, que se destaca na cena contemporânea pernambucana por uma produção que atravessa abstração, memória e espiritualidade.

Com curadoria da pesquisadora Elizabeth Bandeira, a exposição parte do livro homônimo de Stela Carr, referência afetiva da infância de Lu Ferreira, para construir um percurso visual atravessado por mistério, sincretismo religioso e experimentação estética. As obras dialogam com experiências vividas em territórios como Assaré, no Cariri cearense, e Olinda, onde o artista reside, revelando uma pesquisa marcada por um sincretismo barroco negro e por um intenso estudo das cores.

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Lu Ferreira, artista visual saído do bairro pobre da Muribeca, no Recife (PE). Foto: Mitsy Queiroz/Divulgação

O texto curatorial destaca a relação do artista com a religiosidade brasileira para além de uma perspectiva dogmática, apontando para uma construção sensorial e simbólica que atravessa sua trajetória desde a infância. Essa dimensão aparece nas obras como uma espécie de fluxo imagético que amplia as possibilidades de percepção e leitura.

Outro elemento central do trabalho de Lu Ferreira é a influência do jazz, especialmente pela condução rítmica que atravessa sua produção. A escolha de expor em Nova York também ressoa com essa referência, já que a cidade foi berço do bebop. Além disso, o artista explora suportes diversos, como lonas de construção e papel Fabriano, e utiliza ferramentas não convencionais, muitas vezes materiais que se transformam ou se desfazem durante o processo criativo.

Estranhas Luzes no Bosque

Segundo o artista, seu trabalho nasce de uma relação antiga com esses materiais. Ele relembra que, ainda na infância, guardava objetos que pareciam “falar” com ele e que, mais tarde, decidiu revisitá-los, incorporando-os à sua prática artística. A escolha por abandonar o pincel tradicional se tornou, então, uma forma de tensionar o próprio fazer, deslocando o foco do controle técnico para a experimentação e a consequência do gesto.

“Estranhas Luzes no Bosque” é a segunda exposição individual de Lu Ferreira em Nova York, sucedendo “Tropical Nada”, apresentada em junho de 2025. Assim como na ocasião anterior, o artista não estará presente fisicamente na abertura. Mesmo com documentação e convite formal da galeria, o visto para entrada nos Estados Unidos foi negado.

A ausência, no entanto, é incorporada pelo próprio artista como parte do contexto de sua obra. Ele afirma que sua produção também carrega camadas de denúncia social e questionamento das estruturas que atravessam o circuito artístico. Ainda assim, destaca que sua presença simbólica e espiritual permanece nas obras expostas, reforçando a potência de sua pesquisa.

A exposição “Estranhas Luzes no Bosque” pode ser visitada gratuitamente entre os dias 1º de maio e 6 de junho, na galeria Tara Downs, em Manhattan.

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