A Câmara dos Deputados que sai das urnas em 2026 é a fotografia mais nítida do avanço da extrema direita no Brasil. Com 513 cadeiras, o Partido Liberal (PL) elegeu 121 deputados, a maior bancada individual da história do país. Todo o campo progressista somado, entre Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Rede, Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Partido Verde (PV), não passa de 124 cadeiras.
O dado fala por si: a esquerda inteira junta é apenas três deputados maior que o PL sozinho. A direita raiz, somando PL, Republicanos, Progressistas (PP), Novo e Partido Renovação Democrática (PRD), chega a 218 cadeiras, 42,5% da Casa. O Centrão, com União Brasil, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Avante, Solidariedade e Missão, soma 171.
Imagem: Reprodução plataforma Decide Brasil 2026. Dados: TSE
A governabilidade que se compra com concessão
Lula, reeleito, terá de governar com um Congresso ainda mais hostil. Para ter o mínimo de governabilidade, precisará de alianças cada vez mais concessionárias ao Centrão. O PP e o Republicanos, embora sejam direita raiz, declararam neutralidade na corrida presidencial e podem compor tanto um governo de direita quanto de esquerda. Já o MDB, o Missão e o PSDB se colocam abertamente na extrema direita.
Ou seja: o campo que Lula terá de cortejar para aprovar qualquer coisa é o mesmo que hoje vota contra os direitos do trabalhador.
O Congresso que aprovaria a PEC da Bandidagem
Para dimensionar o que vem pela frente, basta um exemplo. Este Congresso que sai das urnas teria aprovado a chamada PEC da Bandidagem, nome dado pelos movimentos sociais à PEC da Blindagem, que blindava deputados e senadores de processos criminais ao exigir autorização prévia, por voto secreto, do próprio Congresso. A proposta passou na Câmara dos Deputados em 16 de setembro de 2025, com 344 votos favoráveis contra 133. Só foi enterrada porque o povo foi às ruas em 21 de setembro e a Comissão de Constituição e Justiça do Senado a rejeitou por unanimidade, com 26 votos contrários, em 24 de setembro. Foi esse episódio que consolidou o apelido que a Casa carrega até hoje: Congresso Inimigo do Povo.
A expectativa torturante
Para quem é progressista e para a classe trabalhadora, o que vem pela frente é uma expectativa torturante. Perda de direitos, lobbies empresariais e ataques conservadores à pauta de costumes: direitos das minorias, homofobia, machismo, misoginia e direitos das mulheres estão na mira.
A eleição mostrou que a máquina de desinformação da direita, que espalhou fake news e elegeu bancada, venceu no Legislativo. A luta, agora, é para que não vença também no Planalto. O segundo turno de 25 de outubro é a trincheira. Depois dele, começa a batalha mais difícil: resistir a um Congresso que já nasce contra o povo.
