Governo dos ricos abandona, Governo do povo protege

Esquerda injeta dinheiro público no pobre; direita prega esforço

Por Frente Livre
Lula Bolsonaro programas sociais
Presidente Lula recebe carinho do povo em Salvador, no comício que juntou mais de 200 mil pessoas na Barra-Ondina. Foto: Ricardo Stuckert.

Os números dos programas sociais dividem o Brasil em dois projetos que não se parecem em nada. De um lado, a direita, que governa para os ricos e manda o pobre se esforçar. Do outro, a esquerda, que entende que quem nasce sem herança precisa de estímulo, financiamento e proteção para prosperar. A comparação dos dados gerados pelos governos de Jair Bolsonaro e de Luiz Inácio Lula da Silva escancara essa diferença.

No Bolsa Família, criado em 2003, a direita desmontou o que existia. Bolsonaro trocou o programa pelo Auxílio Brasil e ignorou o tamanho das famílias: uma casa com dez moradores recebia o mesmo valor de uma casa com um morador só. O Cadastro Único ficou sem atualização, com dados que não refletiam a realidade. A falta de controle gerou R$ 3,9 bilhões em pagamentos indevidos. Em 2022, ano eleitoral, as famílias de uma pessoa cresceram 70% — sinal de que o benefício virou moeda de campanha, não política de proteção.

Lula recriou o Bolsa Família em 2023. O tamanho da família passou a entrar no cálculo: quanto mais gente, maior o valor. Crianças, adolescentes e gestantes ganharam adicionais de R$ 150 e R$ 50. E, para não prender ninguém na miséria, quem arruma emprego mantém metade do benefício por um ano. O resultado é a prova de que o programa não cria acomodação: 5,6 milhões de famílias saíram do Bolsa Família por ganho de renda.

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Fontes: Ministérios do Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento Agrário, Incra, Caixa Econômica Federal

A meritocracia de quem manda trabalhar até a exaustão

A direita chama tudo isso de assistencialismo e prega a “teoria da prosperidade”, fundada na “meritocracia”. A expressão “trabalhar até a exaustão” chegou a ser pronunciada numa comissão da Câmara dos Deputados por um deputado pastor bolsonarista, Marco Feliciano (Republicanos-SP) — sujeito que tem até acusação de estupro contra si –, em meio ao debate sobre a escala 6×1. Tradução: o pobre deve se matar de trabalhar para o rico enriquecer mais.

Lula Bolsonaro programas sociais Deputado Pastor Marco Feliciano acha que o trabalhador deve trabalhar até a exaustão para prosperar. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

É um jeito canalha de manter ricos, ricos e os pobres, pobres. Se o esforço bastasse, o trabalhador que cumpre jornada exaustiva já teria prosperado há séculos. A meritocracia pregada pela direita ignora que quem nasce pobre não parte do mesmo ponto de quem nasce herdeiro. Ela serve para culpar a vítima e absolver o sistema.

O dinheiro do imposto a serviço de quem precisa

Para a esquerda, prosperar sem estímulo é loteria. Por isso o dinheiro do imposto vira política pública. No Minha Casa, Minha Vida, Bolsonaro reservou apenas 1,5 mil moradias para famílias de baixa renda em 1,5 milhão contratado — 0,1% do total. Lula contratou 2,6 milhões de moradias, 277 mil delas para quem mais precisa. No gás, o Auxílio Gás atendia 4,4 milhões de famílias em 2022; hoje, 15 milhões de famílias são beneficiadas. Três vezes e meia mais.

No campo, o abismo se repete. Na reforma agrária, Bolsonaro assentou 21 mil famílias; Lula, 276 mil. No crédito fundiário, R$ 400 milhões contra R$ 1,2 bilhão. Nos territórios quilombolas declarados, um contra 79. A diferença não é de gestão: é de projeto. Uma direita que entrega a terra ao latifúndio e uma esquerda que devolve o direito a quem foi expulso dele.

Água e comida: o Estado presente

Nas cisternas, Bolsonaro entregou 54,5 mil unidades entre 2019 e 2022 — e 33,5 mil já vinham contratadas por Dilma e Temer. Lula contratou 216 mil e entregou 149 mil. No Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o corte de 97% do orçamento derrubou o atendimento para 18,8 mil agricultores. Lula recriou o programa em 2023: 140 mil agricultores, R$ 3 bilhões investidos e 376,6 mil toneladas de comida chegando a escolas, hospitais e unidades sociais.

A escolha nunca foi entre Estado e mercado. É entre um Estado que manda o pobre se matar de trabalhar e um que entende que nascer pobre é falta de proteção, não de esforço. Os números estão aí, verificáveis. Quem compara, escolhe.

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