A proibição das apostas online no Brasil, editada por medida provisória na sexta-feira (25), provocou uma reação imediata e previsível: o setor que lucra com o vício correu para o Supremo Tribunal Federal (STF) tentar salvar o caixa. Enquanto isso, a esmagadora maioria da população aplaude a decisão.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pediram ao ministro Luiz Fux a suspensão dos efeitos da MP. As entidades alegam que a medida foi publicada sem demonstração de urgência e que viola a segurança jurídica de empresas que pagaram outorgas de R$ 30 milhões por licença. O argumento é o de sempre: o mercado regulado, o impacto econômico e o medo de que os apostadores migrem para o mercado clandestino.
O que as associações não dizem é que o mercado que defendem é o mesmo que adoeceu e endividou milhões de brasileiros. Os números do próprio governo expõem a dimensão do estrago.
Luiz Fux recebeu o pedido dos cassinos on-line que vinham adoecendo e endividando os brasileiros. Foto: STF
A ofensiva do governo
Enquanto as bets tentam se blindar no Judiciário, o Executivo age. Uma força-tarefa entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério da Fazenda derrubou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas. O monitoramento alcança uma rede de divulgação com 212 mil usuários no Telegram. O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) identificou publicidade de bets ainda circulando na Meta, no Google — com 1,9 mil anúncios — e no TikTok. Surgiram ainda 440 novos sites irregulares tentando furar o bloqueio.
A Advocacia-Geral da União (AGU) prepara uma ação de cerca de R$ 1 bilhão contra 15 empresas de apostas pelos custos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de pessoas afetadas pelo vício. Os atendimentos ligados ao jogo patológico cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025. É a conta que o setor, que encheu os bolsos com a exploração da ludopatia, agora é chamado a pagar.
O povo decidiu
A narrativa da imprensa alinhada ao capital tenta vender a proibição como “desespero eleitoral”. Os dados contam outra história. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, com 5.015 entrevistados entre 17 e 22 de setembro, mostra que 75% dos brasileiros apoiam a proibição das bets — contra apenas 17% que discordam. O apoio subiu de 73%, em abril, para 75%. Outros 88% rejeitam a ideia de que as apostas possam complementar a renda.
Não é desespero. É o povo, que viu famílias inteiras serem destruídas pela exploração do vício, cobrando uma resposta. O setor que chora no STF não defende o apostador: defende o próprio lucro, construído sobre a ruína alheia. A Frente Livre fica com o lado que a pesquisa revela — o lado dos 75%.
