Comprada, imprensa internacional critica proibição das bets

Por Redação
proibição das bets
Imagem: FLIA (gerada por IA)

A proibição das bets anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva virou manchete no mundo inteiro. E, quase sem exceção, a imprensa internacional abriu a cobertura pelo mesmo ângulo: a medida a nove dias do primeiro turno. A Reuters falou em “corrida à reeleição se acirrando”. O Financial Times foi além e deu espaço a um consultor de risco empresarial, Mario Marconini, da Teneo, para chamar a proibição de “desperate move”, um movimento desesperado. A tese é a mesma da grande imprensa brasileira, que a Frente Livre avisou ontem que cairia de pau na medida por interesse financeiro. Não por acaso: jornais, rádios, TVs, portais e clubes de futebol daqui e de lá estão abarrotados de dinheiro de bet.

O “desesperado” que lidera as pesquisas

A tese do desespero não resiste a um olhar nos números. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, a mesma que mediu 75% de apoio popular à proibição das bets, mostra Lula com 46,3% dos votos válidos no primeiro turno, contra 43,9% de Flávio Bolsonaro. O Datafolha traz o presidente com 40%, contra 36% do adversário. A Quaest aponta 37% a 33%. Lula lidera em todos os levantamentos e se aproxima dos 50% que decidem a eleição já no primeiro turno. O “desesperado” que o analista do Financial Times descreve é o mesmo presidente que o povo quer reeleger e que acaba de atender à vontade da maioria esmagadora do país.

A porta-voz do capital financeiro

O que o Financial Times e seus pares chamam de desespero é, na verdade, o contrário: é a indústria da bet vendo a máquina de extrair dinheiro do trabalhador ser desligada. A imprensa internacional, porta-voz do capital financista, tratou uma medida que 75% dos brasileiros apoiam como se fosse um golpe de um presidente fraco. Deu a Flávio Bolsonaro e à indústria o status de vítimas, sem confrontar a origem do dinheiro que os financia. O Guardian, único a destacar o apoio popular, foi a exceção que confirma a regra. Para o capital, o que importa não é a vida do trabalhador endividado e adoecido, é a arrecadação de R$ 9,95 bilhões e a “segurança jurídica” das licenças. O desesperado não é Lula. É quem lucrava com a desgraça.

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