A liquidação extrajudicial do Banco Pleno pelo Banco Central transformou-se no combustível político que faltava para a CPMI do INSS avançar sobre o alto escalão do bolsonarismo. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou nesta quarta-feira (18) uma bateria de requerimentos de convocação, colocando Flávia Peres e Banco Pleno no centro das investigações sobre o desvio bilionário de recursos de aposentados.
Flávia Peres, ex-deputada federal (PL), ex-ministra da Secretaria de Governo e candidata derrotada ao Senado pelo DF, não é apenas uma figura política. Ela é casada com Augusto Lima, ex-CEO do Banco Pleno e ex-sócio do Banco Master, preso na Operação Compliance Zero. Mais do que isso: Flávia integrava o Conselho de Administração da instituição financeira agora liquidada, o que, segundo o requerimento, a coloca na posição de ter que explicar “ações e eventuais omissões” que permitiram a circulação de dinheiro oriundo de descontos indevidos no INSS.
A conexão política de Flávia Peres e Banco Pleno
O documento apresentado por Correia é contundente. Ele sustenta que é imprescindível apurar se a estrutura do Banco Pleno serviu de lavanderia para o esquema de fraudes no INSS e qual o papel de Flávia nessa engrenagem. A suspeita é que a influência política da ex-ministra tenha facilitado a operação do banco satélite do Master dentro da máquina pública, especialmente no que tange ao crédito consignado.
Além de Flávia, a ofensiva da CPMI atinge outros dois ex-ministros de Bolsonaro: Ronaldo Vieira Bento e João Roma, ambos da pasta da Cidadania. Bento, inclusive, aparece nos registros societários como diretor do Banco Pleno e administrador de uma empresa de cartões ligada ao grupo, reforçando a tese de uma “porta giratória” entre o governo passado e o sistema financeiro investigado.
Quebra de sigilo e rastro do dinheiro
Para além das convocações, a CPMI quer abrir a caixa-preta bancária. Foi solicitado a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco Pleno de 2019 a 2026. O objetivo é rastrear o caminho do dinheiro e identificar se houve repasse de recursos para agentes políticos. A justificativa do pedido cita o prejuízo estimado em R$ 12 bilhões em operações suspeitas com o BRB e a necessidade de esclarecer as conexões entre decisões de governo e o enriquecimento das instituições financeiras ligadas a Flávia Peres e Banco Pleno.






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