O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da defesa de Jair Bolsonaro para que o ex-presidente recebesse a visita do assessor do governo dos Estados Unidos, Darren Beattie, no Complexo Penitenciário da Papuda. A decisão, proferida após consulta oficial, enterra a tentativa do bolsonarismo de criar um comitê internacional na cadeia. O veto ocorreu logo após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) desmascarar a suposta agenda diplomática do emissário de Donald Trump e alertar para o risco de ingerência estrangeira no país.
A manobra da defesa ruiu quando o chanceler Mauro Vieira respondeu ao questionamento do STF. Vieira informou a Moraes que o governo norte-americano não havia formalizado nenhum compromisso oficial para Beattie antes de a polêmica vir à tona. O ministro das Relações Exteriores foi categórico ao afirmar que a tentativa de um representante estrangeiro visitar um político condenado e preso, fora dos trâmites diplomáticos normais, configura uma grave tentativa de interferência nos assuntos internos do Brasil.
O fim do blefe diplomático
Com o parecer do Itamaraty em mãos, Moraes encerrou a discussão. Em sua decisão, o magistrado destacou que não há justificativa legal ou institucional para conceder privilégios a Bolsonaro ou flexibilizar as regras do sistema penitenciário. O ministro reforçou que qualquer visitante, independentemente de sua nacionalidade ou cargo em governos estrangeiros, deve se submeter estritamente ao regime prisional brasileiro, que prevê dias e horários específicos para encontros.
O desfecho expõe, de forma definitiva, a contradição da equipe jurídica do ex-mandatário. Os mesmos advogados que acumulam pedidos de transferência para prisão domiciliar sob a alegação de que Bolsonaro enfrenta problemas graves de saúde, tentaram forçar uma cúpula política de extrema direita dentro do 19° Batalhão da Polícia Militar. Sem a chancela do Itamaraty e com a porta fechada pelo STF, o blefe do “Itamaraty paralelo” chegou ao fim.






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