Havana – O governo de Cuba conseguiu unificar o Sistema Elétrico Nacional (SEN) de Pinar del Río, no extremo oeste, até Holguín, no leste, após dias de fragmentação crítica da rede. A manobra técnica, confirmada pela Agência Cubana de Notícias (ACN), foi acompanhada pela sincronização das unidades 3 e 4 da Central Termelétrica (CTE) Carlos Manuel de Céspedes, em Cienfuegos. O esforço conjunto tenta estabilizar o fornecimento de energia na ilha, que atravessa uma severa crise energética decorrente da escassez de combustíveis.
A conexão da malha elétrica entre as províncias ocidentais e orientais é um passo fundamental para a estabilidade do sistema. Com a rede integrada, o despacho de carga torna-se mais flexível, permitindo que a geração de uma região supra a demanda de outra em casos de falhas localizadas. No entanto, o Ministério de Energia e Minas (MINEM) mantém o alerta, pois a sustentabilidade dessa conexão ainda depende da disponibilidade de petróleo, que sofreu redução drástica após o corte do suprimento vindo da Venezuela.
Estabilização técnica e pressão social
Em Cienfuegos, a reativação das unidades 3 e 4 da CTE Carlos Manuel de Céspedes injeta uma potência considerada vital no SEN. Esta planta é reconhecida como uma das mais eficientes e estáveis do país, sendo peça-chave para afastar a “opção zero” — o colapso total da rede elétrica nacional. A sincronização bem-sucedida dessas turbinas visa reduzir o déficit de geração que tem paralisado a economia e a rotina dos cubanos.
Apesar do avanço técnico, a infraestrutura cubana continua operando no limite. O país utiliza uma combinação de crudo nacional e gás que não atende à demanda total, mantendo a necessidade de cortes programados.
Essa vulnerabilidade foi o estopim para episódios recentes de tensão social e vandalismo em províncias como Morón. As autoridades monitoram a estabilidade das unidades reativadas, enquanto tentam garantir novos fluxos de combustível para evitar que a rede volte a se fragmentar.






Deixe seu comentário