Donald Trump foi retirado às pressas de um jantar de correspondentes em Washington, na noite de sábado (25), depois que tiros foram disparados do lado de fora do local. O episódio, que expõe mais uma fissura na instabilidade política dos Estados Unidos, provocou reações imediatas de chefes de Estado ao redor do mundo — inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou o ataque como “afronta aos valores democráticos”.
Segundo informações divulgadas por autoridades norte-americanas, os disparos ocorreram durante um dos eventos mais tradicionais da elite política e midiática do país, reunindo governantes, parlamentares e a imprensa que cobre a Casa Branca.

Trump é retirado de evento onde houve disparos. Reprodução de vídeo. Foto: Reprodução Redes Sociais
Trump e a primeira-dama Melania foram retirados por agentes do Serviço Secreto, enquanto convidados eram orientados a permanecerem no salão. O autor dos tiros foi o professor Cole Tomas Allen, de 31 anos (leia perfil abaixo).
Reação internacional imediata
Nas redes sociais, Lula publicou uma nota prestando solidariedade ao ex-presidente norte-americano, à primeira-dama e aos participantes do jantar. O texto afirmou que o Brasil “repudia veementemente o ataque” e destacou que “a violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos devemos proteger”. O posicionamento brasileiro se somou ao de outros líderes, como Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, e Delcy Rodríguez, da Venezuela, que repudiaram o episódio.
A resposta internacional reforça a preocupação sobre um ambiente de extrema polarização nos Estados Unidos, onde episódios de violência política se tornaram recorrentes, alimentados por anos de radicalização interna e disputas eleitorais permanentes.
Clima de tensão crescente nos EUA
A retirada emergencial de Trump reacende debates sobre segurança institucional e a fragilidade do cenário político norte-americano. O ataque, ainda sem motivação amplamente divulgada, ocorre em meio a disputas internas, investigações cruzadas e um clima generalizado de instabilidade que desafia a suposta imagem de solidez democrática que Washington projeta ao mundo.
Enquanto autoridades dos EUA investigam o caso, a repercussão global deixa claro que a violência política no país não é mais um problema doméstico: tornou-se um risco internacional, com efeitos diretos na diplomacia, na segurança e no próprio imaginário global sobre o poder norte-americano.
Quem é o atirador
O cientista de computação da Califórnia, Cole Tomas Allen, de 31 anos, acusado de abrir fogo durante o Jantar de Correspondentes da Casa Branca, não é apenas mais um criminoso em potencial — ele é um engenheiro altamente treinado da Caltech, uma das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos, onde estudantes com pontuação perfeita no SAT conseguem ser admitidos.
Allen é acusado de invadir um ponto de controle do Serviço Secreto no Washington Hilton e disparar contra um oficial federal. As autoridades afirmam que ele agora enfrenta acusações federais: uso de uma arma de fogo durante um crime de violência e agressão a um funcionário do governo federal
No entanto, o que mais chama atenção é a sua história de vida. Allen não era um errante sem rumo, um outsider. Ele foi engenheiro mecânico da Caltech, pesquisador no Jet Propulsion Laboratory da NASA e cientista da computação com mestrado avançado.
O Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA é um centro de pesquisa e desenvolvimento especializado em robótica e exploração espacial. Localizado na Califórnia, o JPL é responsável por projetar, construir e operar sondas espaciais e robôs que exploram o sistema solar e além, como os rovers enviados para Marte. O laboratório também desenvolve tecnologia para missões de observação da Terra e realiza pesquisas em física espacial, astronomia e ciências planetárias.
Na Caltech, Allen construiu sistemas robóticos ofensivos e defensivos e fez simulações baseadas em física
Ele se formou em 2017. Nesse ano, desenvolveu um jogo de tiro chamado “First Law” — um jogo de combate espacial baseado em física.
Mais tarde, ele lançou outro jogo complexo, “Bohrdom”, na plataforma Steam.
Trabalhou na C2 Education — em que alunos brilhantes que desejam ingressar na Caltech recebem tutoria — e obteve um mestrado em ciência da computação pela California State University Dominguez Hills em 2025.
Foi publicamente reconhecido como “Professor do Mês” no final de 2024. No papel, sua trajetória é estável e bem-sucedida.
Registros federais mostram que ele também fez uma pequena doação política durante o ciclo eleitoral de 2024 para Kamala Harris. O presidente Donald Trump descreveu Allen como um “lobo solitário” e uma “pessoa muito doente”.




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