A primeira-dama Janja Lula da Silva assumiu o protagonismo da reação brasileira ao ataque misógino cometido por Paolo Zampolli, assessor especial do neofascista Donald Trump no governo dos Estados Unidos, que chamou mulheres brasileiras de “raça maldita” durante entrevista à emissora italiana RAI. A declaração, que escancara o nível de violência de gênero tolerado em setores da elite política norte-americana, se converteu em um incidente diplomático e mobilizou o Ministério das Mulheres, parlamentares e movimentos sociais.
Janja responde e denuncia histórico de violência
Janja foi a primeira voz de peso a confrontar Zampolli publicamente. Em publicação nas redes sociais, lembrou que o agressor não é apenas misógino em discurso: ele é acusado por sua ex‑mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro, de violência doméstica, abuso sexual e abuso psicológico. Ao expor o histórico, a primeira-dama desmontou o véu de “opinião pessoal” com que ataques desse tipo costumam ser relativizados.
Ela afirmou que as brasileiras rompem diariamente ciclos de violência e silenciamento: “Ser chamada de ‘raça maldita’ e ‘programada para causar confusão’ não diminui ninguém”. Sua intervenção deslocou o debate e colocou as mulheres, e não o agressor, no centro da narrativa.
Ministério das Mulheres: misoginia é crime
Após a manifestação de Janja, o Ministério das Mulheres, comandado pela ministra Márcia Lopes, divulgou nota contundente afirmando que misoginia não é liberdade de expressão. É crime — manifestação de ódio e incitação à violência, reconhecida como fator de risco para o feminicídio. O governo reiterou que o ataque verbal não é isolado: ele reforça um padrão histórico de agressões que atravessa fronteiras e estruturas de poder.
Congresso e a “machosfera”
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB‑RJ) conectou o episódio a um quadro mais amplo: a resistência da direita ao projeto que criminaliza a misoginia. Segundo ela, “a machosfera brasileira treme” diante da possibilidade de perder o direito de hostilizar mulheres impunemente.
O caso Zampolli expõe essa dinâmica de maneira cristalina. Quando um representante dos EUA se sente confortável para ofender brasileiras em rede internacional, o problema não é diplomático — é estrutural. E como apontaram Janja e o Ministério das Mulheres, chegou a hora de tratar misoginia como aquilo que ela é: violência.




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