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ataque israelense
Vista panorâmica da cidade de Arnoun, no sul do Líbano, sob ataque israelense. Foto: PressTV
GEOPOLÍTICA

Israel mata médicos, mulheres e crianças no Líbano

Bombardeio mina negociações e isola EUA

O ataque israelense que matou ao menos sete pessoas no sul do Líbano, incluindo médicos, socorristas, mulheres e quatro crianças, tornou‑se o mais recente sinal de sabotagem aberta ao cessar‑fogo costurado entre Estados Unidos e Irã. O bombardeio em Jebchit, na noite de terça-feira (28), foi condenado pelo governo libanês e ocorre num momento em que Teerã mantém o compromisso de não atacar Israel durante as negociações. A ofensiva, além de violar a trégua, empurra o país vizinho para uma crise humanitária: a Organização das Nações Unidas (ONU) projeta que 1,2 milhão de libaneses enfrentarão fome aguda nos próximos meses, consequência direta dos ataques e deslocamentos forçados.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que Israel “está enganada se acredita que pode alcançar a segurança por meio de violações e da destruição de aldeias fronteiriças” e cobrou um cessar‑fogo imediato. A percepção, segundo a correspondente da Al Jazeera, Nour Odeh, é de que “Israel não tem controle sobre o Irã e nem mesmo sobre a retomada da guerra no Líbano”, aprofundando a sensação de abandono da população.

A ONU e organismos de ajuda humanitária classificam a situação como uma “deterioração significativa”, lembrando que, antes da ofensiva de março, cerca de 874 mil pessoas já sofriam insegurança alimentar.

China peita Israel

O representante permanente da China na Organização das Nações Unidas (ONU), embaixador Fu Cong, exigiu na terça-feira (28), durante debate público do Conselho de Segurança sobre a situação no Oriente Médio, que Israel encerre imediatamente as atividades ilegais de assentamentos na Cisjordânia, permita o acesso irrestrito de ajuda humanitária a Gaza e cumpra integralmente o acordo de cessar-fogo em vigor desde outubro do ano passado.

Trump volta a ameaçar Irã

Enquanto Israel amplia ataques e mina as conversas diplomáticas, Donald Trump — cada vez mais isolado e pressionado por sua própria base — publicou nova ameaça ao Irã em sua rede Truth Social. O presidente dos Estados Unidos disse que “o Irã não consegue se organizar” e exigiu que Teerã “se organize logo”. A mensagem veio acompanhada de uma imagem gerada por inteligência artificial em que ele aparece armado, com explosões ao fundo e a frase: “Chega de ser bonzinho!”.

A escalada retórica ocorre após Trump cancelar a última rodada de negociações e ordenar que sua equipe prepare condições para manter o bloqueio naval ao Irã “por um período prolongado”, segundo o The Wall Street Journal. Washington exige que o país persa suspenda o enriquecimento de urânio por 20 anos.

Enquanto isso, o Tesouro norte‑americano aprofunda sanções financeiras, atacando bancos paralelos, criptomoedas e empresas ligadas à frota iraniana. O rial, moeda do Irã, caiu ao menor valor desde 1979.

O professor Rob Geist Pinfold, do King’s College London, resume o impasse: “já ultrapassamos a fase de uma guerra física”, mas EUA e Irã disputam quem demonstra mais resistência — e quem cede primeiro.

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