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paz no Irã
Mulher carregando a bandeira iraniana caminha pelo sítio arqueológico de Persépolis em Marvdasht, província de Fars, Irã, em 1º de maio de 2026. Foto: Agência de Notícias Tasnim
GEOPOLÍTICA

O que Trump quer é rendição, não acordo

Teerã lista condições mínimas: fim do cerco e compensação

Os Estados Unidos rejeitaram a mais recente proposta de paz do Irã unicamente porque ela não era uma “carta de rendição”, afirmou um alto diplomata iraniano, destacando que Washington busca impor sua vontade por meio de intimidação e pressão, em vez de construir uma paz genuína.

“A verdadeira paz não pode ser construída com uma literatura de humilhação, ameaças e acertos de contas coercitivos”, afirmou nesta quarta-feira o vice‑ministro das Relações Exteriores para Assuntos Políticos, Kazem Gharibabadi, em uma publicação nas redes sociais.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, rejeitou um plano de paz apresentado por Teerã no domingo para encerrar o que o Irã chama de guerra ilegal de agressão. Ele classificou a proposta como “totalmente inaceitável”.

“Quando a parte que desempenhou papel direto na guerra, no cerco, nas sanções e nas ameaças por meio da força bruta rejeita a resposta do Irã apenas porque ela não é uma carta de rendição, torna‑se claro que a questão principal não é a paz, mas a imposição de vontade política por meio de ameaças e pressão”, afirmou o vice‑ministro iraniano.

Os ‘requisitos mínimos’ do Irã

O diplomata reiterou os princípios que Teerã considera indispensáveis para qualquer acordo sustentável.

“A República Islâmica do Irã enfatizou princípios claros: a cessação permanente da guerra e sua não repetição; compensação pelos danos; levantamento do cerco; remoção das sanções ilegais; e respeito aos direitos do Irã.”

“Essas não são exigências maximalistas; são os requisitos mínimos de qualquer acordo sério e sustentável alinhado à Carta das Nações Unidas para encerrar uma crise que começou com o recurso ilegal ao uso da força.”

Contradições na postura dos EUA

Gharibabadi apontou contradições na abordagem de Washington.

“Não se pode falar de cessar‑fogo enquanto se mantém o cerco; falar de diplomacia enquanto se intensificam as sanções; ou discutir estabilidade regional enquanto se fornece apoio político e militar a um regime que é a fonte da agressão e da instabilidade.”

“Tal abordagem não é negociação; é a continuação de uma política de coerção revestida de linguagem diplomática.”

Contexto do conflito

Estados Unidos e Israel lançaram sua “guerra ilegal e não provocada de agressão contra o Irã” em 28 de fevereiro. Eles assassinaram o Líder da Revolução Islâmica, Aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e atacaram instalações nucleares, escolas e hospitais.

O Irã respondeu com pelo menos 100 ondas de ataques retaliatórios sob a Operação Verdadeira Promessa 4.

Um cessar‑fogo mediado pelo Paquistão está em vigor desde o início de abril, mas um bloqueio naval dos EUA contra portos iranianos permanece ativo.

O Irã advertiu que considera o bloqueio uma extensão da guerra de agressão e pode dar uma resposta severa no momento que considerar apropriado.

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