O escândalo do Banco Master deixou de ser apenas uma história de colapso financeiro para se tornar um retrato da captura de duas das instituições mais respeitadas do Brasil. Daniel Vorcaro, o banqueiro que hoje negocia delação para não apodrecer na cadeia, não se limitou a quebrar um banco. Ele provou que, com dinheiro suficiente, é possível comprar tanto o policial que deveria prendê-lo quanto o técnico que deveria fiscalizá-lo.
A 6ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14) pela Polícia Federal, revelou que Vorcaro mantinha uma estrutura criminosa dentro da própria PF. O grupo apelidado de “A Turma”, liderado por Marilson Roseno da Silva, era composto por agentes da ativa, aposentados e até uma delegada, Valéria Vieira Pereira da Silva. A função do núcleo era clara: intimidar adversários, acessar dados sigilosos dos sistemas internos da corporação e monitorar alvos de interesse do banqueiro. A operação cumpriu mandado contra Henrique Vorcaro, pai de Daniel.
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A propina que calou o fiscal
Enquanto a PF era infiltrada por dentro, o Banco Central assistia calado. Investigação da Polícia Federal já havia revelado que o diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, recebiam propina para fechar os olhos às fraudes bilionárias do Master. O caso, publicado pela Frente Livre em abril, expõe a ironia trágica: justamente no momento em que se discute dar mais autonomia ao Banco Central, descobre-se que a “autoridade monetária” já gozava da autonomia de ser corrompida sem que ninguém visse.
O saldo do escândalo é arrasador. Enquanto Vorcaro construía seu império, o BC desviava o olhar e a PF trabalhava para ele. As duas instituições que o brasileiro médio ainda considera baluartes da seriedade republicana foram reduzidas a balcão de negócios de um banqueiro que, hoje, negocia delação para entregar os nomes de todos os que estavam na folha de pagamento do crime.






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