A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais tem votação marcada para a próxima quarta-feira (20). O relator, deputado Leo Prates (PDT-BA), tenta construir um texto de consenso, mas a correlação de forças no colegiado é desfavorável à classe trabalhadora.
O principal articulador da resistência é o deputado Sérgio Turra (PP-RS), que se autointitula “de direita e bolsonarista”. Turra apresentou emenda que mantém as atuais 44 horas de jornada por um prazo de dez anos, exclui atividades essenciais (saúde, segurança, mobilidade e abastecimento) da redução e ainda prevê compensação aos empresários com redução da contribuição social.
Traduzindo: o trabalhador espera uma década, mas o patrão ganha desconto já. Curiosamente, Turra não é membro titular nem suplente da comissão — apresentou a emenda como qualquer deputado pode fazer, mesmo sem integrar o colegiado.
A bancada do atraso na comissão
O bloco declaradamente contrário à redução reúne pelo menos 12 deputados titulares, a maioria do PL, PP e Novo, segundo a composição oficial publicada pela Câmara. São eles:
- Julia Zanatta (PL/SC)
- Mauricio Marcon (PL/RS)
- Osmar Terra (PL/RS) — ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro
- Lafayette de Andrada (PL/MG)
- Luiz Carlos Motta (PL/SP)
- Dani Cunha (PL/RJ)
- Rodrigo da Zaeli (PL/MT)
- Any Ortiz (PP/RS)
- Pedro Westphalen (PP/RS)
- Julio Lopes (PP/RJ)
- Gilson Marques (NOVO/SC)
A esses soma-se o próprio vice-presidente da comissão, Luiz Gastão (PSD/CE), que já declarou publicamente rejeitar o fim da escala 6×1 — embora aceite discutir as 40 horas. O presidente do colegiado, Alencar Santana (PT-SP), e a 1ª vice-presidente, Daiana Santos (PCdoB-RS), lideram o campo favorável à redução imediata.
A correlação de forças
A pesquisa Quaest divulgada em julho de 2025 já apontava que 70% dos deputados federais são contra o fim da escala 6×1. Apenas 22% se declararam a favor. Na comissão especial, a correlação reflete esse quadro: o PL, partido de Bolsonaro, é a maior bancada, e o Centrão (PP, Republicanos, PSD, União) controla a maioria das cadeiras.
O governo Lula e as centrais sindicais pressionam para que a votação ocorra ainda em maio. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi enfático ao rejeitar a emenda de transição:
“Sou radicalmente contra. A titularidade do trabalho não é do empregador. Não é como foi no debate da escravidão”.
A pergunta que fica: de que lado estarão os 37 titulares da comissão quando a história cobrar a resposta?






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