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BRASIL

Fake news tenta salvar Flávio depois do áudio com Vorcaro

Mentira sobre Lula serviria para aliviar caso "irmãozão"

Uma fake news conveniente começou a rodar com força nos aplicativos de mensagem e nas redes: a de que Daniel Vorcaro, o banqueiro enrolado até o pescoço no escândalo que cerca Flávio Bolsonaro, também teria bancado produções sobre Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer. A operação é velha, mas eficiente: joga lama em todo mundo para ver se o rolo do bolsonarismo parece menos fedorento. Não parece.

A história ganhou tração depois de uma nota de Lauro Jardim, em O Globo, e foi reproduzida por Veja num daqueles arroubos de equivalência moral que a imprensa liberal adora vender como isenção. Só que os fatos, esses estraga-prazeres, não ajudam a narrativa.

No caso do filme sobre Temer, houve, sim, um aporte de R$ 1 milhão de um fundo da família Vorcaro, segundo informações públicas confirmadas por gente ligada à produção. Mas o longa sobre o ex-presidente custou R$ 12 milhões. Em português claro: Vorcaro não bancou o filme. Entrou com menos de 10% do total. É aporte, não patrocínio integral. Mas, para quem quer fazer malabarismo político, qualquer trocado já vira “financiou tudo”.

No caso do documentário sobre Lula, a tese desaba de forma ainda mais feia

Vencedor de três orcars, incluindo melhor filme e direção, com Platoon, de 1986, Oliver Stone, diretor do documentário sobre o presidente Lula, negou que tenha recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, de parentes dele ou de empresas a ele ligadas, direta ou indiretamente. E não ficou no desmentido protocolar. Segundo relatos públicos, Stone avisou que pretende processar quem seguir espalhando a mentira. Ou seja: não há “os dois lados” aqui. Há um fato e há uma falsificação útil.

A tentativa de misturar Lula nessa história tem alvo certo: aliviar o escândalo de Flávio Bolsonaro com o banqueiro do Banco Master. Afinal, no caso do filme sobre Jair Bolsonaro, o buraco é bem mais embaixo. Reportagens já mostraram que Vorcaro se comprometeu com R$ 129 milhões para a produção, com liberação efetiva de pelo menos R$ 61 milhões. Aí não estamos falando de troquinho de fundo de investimento. Estamos falando de uma montanha de dinheiro despejada no que, em tese. deveria ter virado o filme mais caro do cinema brasileiro. Só que a produtora alega que não recebeu um tostão. Então não se sabe onde o dinheiro foi parar.

No fim das contas, a fake news serve como sempre serviu: não para informar, mas para confundir. E, quando a confusão interessa ao bolsonarismo, sempre aparece uma parte da imprensa disposta a vender fumaça como se fosse reportagem.

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