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revolução popular na Bolívia
O presidente boliviano Rodrigo Paz durante visita ao Brasil em março passado: população se levantou contra desmonte do Estado e venda do patrimônio público. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
GEOPOLÍTICA

Revolução popular na Bolívia encurrala presidente

Repressão policial não freia avanço de camponeses e operários

A revolução popular na Bolívia entrou em sua quarta semana consecutiva com a tomada do centro de La Paz por milhares de trabalhadores. Nesta terça-feira (26), as ruas foram ocupadas por uma massa que exige a renúncia imediata do presidente Rodrigo Paz e o fim do seu plano de privatizações. O levante, que a mídia comercial insiste em classificar como mero “protesto”, reflete o esgotamento da classe trabalhadora diante de um projeto neoliberal que tenta fatiar e vender o Estado boliviano.

A mobilização massiva unificou setores históricos do país. Agricultores da zona sul de La Paz marcharam com moradores da combativa cidade de El Alto, associações de bairro e sindicatos. A presença dos mineiros, vanguarda das lutas populares, demonstra que o tecido social rompeu com a austeridade imposta pelo governo. A rejeição é uma revolta estrutural contra a entrega do patrimônio público ao grande capital privado.

Repressão policial tenta conter avanço do povo

Enquanto o Paseo del Prado era tomado pela multidão, o aparato repressivo do Estado agiu com violência. Um grupo de manifestantes que tentou acessar a Praça Murillo, centro do poder político, foi duramente reprimido pela polícia. A resposta truculenta de Rodrigo Paz evidencia o desespero de uma administração que perdeu a legitimidade nas ruas e se sustenta exclusivamente pelo uso da força contra seus próprios cidadãos.

O silêncio da mídia sobre a revolução em curso

O cenário repete um ciclo conhecido na América Latina: elites tentam impor privatizações à revelia da vontade popular e respondem com cassetetes quando há reação. No entanto, a organização dos movimentos sociais bolivianos, forjada na resistência anti-imperialista, mostra que o povo não aceitará retrocessos calado. A aliança entre El Alto, camponeses e operários forma um bloco de oposição intransigente.

O que ocorre no país vizinho é uma verdadeira revolução popular. A imprensa hegemônica tenta suavizar o levante, mas a quarta semana de marchas prova que o movimento tem fôlego e um objetivo inegociável: derrubar a agenda de privatização. A pressão pela renúncia de Rodrigo Paz cresce a cada dia, e as ruas já deixaram claro que o capital não terá passe livre na Bolívia.

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