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Eleições presidenciais na Colômbia
Advogado milionário e populista, Abelardo de la Espriella surpreendeu e obteve 43% dos votos no primeiro turno, embalado por uma onda de fake news nas redes sociais. Foto: RS/Fotos Públicas
GEOPOLÍTICA

Fake news sabotam esquerda na eleição da Colômbia

Comunista Cepeda e neofascista Espriella disputam 2º turno

A Colômbia vai decidir o seu destino no próximo dia 21 de junho em um embate que é a cara da América Latina atual: de um lado, a esperança da continuidade do projeto progressista; do outro, o retrocesso fantasiado de “antissistema”. Com 99% das urnas apuradas neste domingo (31), o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, garantiu 41% dos votos (9,6 milhões). Ele enfrentará no segundo turno o advogado milionário de extrema direita Abelardo de la Espriella, que surpreendeu as pesquisas ao abocanhar 43% do eleitorado (10,3 milhões).

A ascensão de Espriella nos dias finais do pleito não foi obra do acaso. O candidato da extrema direita capturou o espólio da senadora uribista Paloma Valencia, que derreteu de 16% para 6% nas urnas. Mais do que uma escolha de nomes, o pleito funciona como um plebiscito sobre os quatro anos de Petro — o primeiro governo de esquerda da história colombiana que ousou peitar a oligarquia local e o domínio militar dos Estados Unidos na região.

O legado de Petro sob cerco imperialista

Historicamente tratada como o “quintal” estratégico de Washington na América do Sul, a Colômbia de Petro promoveu uma ruptura estrutural. O governo que se encerra em agosto de 2026 entregou a maior reforma agrária da história do país, com 2 milhões de hectares distribuídos, reduziu o desmatamento em 39% e levou o desemprego ao menor nível do século (9,2%). Além disso, o país adotou uma postura altiva na geopolítica, denunciando o genocídio em Gaza e pagando integralmente a dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Eleições presidenciais na Colômbia

Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, ficou com 41% dos votos, apesar de defender o governo que pagou a dívida com o FMI, levou o país ao menor desemprego da história e fez a reforma agrária com a distribuição de dois milhões de hectares de terras. Foto: RS/Fotos Públicas

Essa soberania, no entanto, incomoda quem sempre mandou no país. A campanha de Iván Cepeda enfrenta o chamado “Projeto Júpiter”, uma máquina digital massiva de desinformação financiada por think tanks e empresários de direita. O objetivo é semear o medo e a insegurança, resgatando fantasmas de guerra para sabotar os acordos de paz defendidos pela chapa de esquerda, que traz a senadora indígena Aida Quilcué como candidata a vice-presidenta.

Três revoluções contra o “Hondurasgate”

Cepeda propõe o que chama de “Três Revoluções”: Ética (combate à corrupção e violência), Econômica (redistribuição de terras) e Política (paz com justiça social). É o contraponto direto ao discurso de Espriella, que conta com o apoio velado de articulações continentais de extrema direita. O escândalo conhecido como “Hondurasgate” já revelou que unidades digitais coordenadas por interesses estrangeiros atuam para desestabilizar governos progressistas na região, e a Colômbia é o alvo principal.

O segundo turno será uma batalha campal pela narrativa. Enquanto a direita tenta transformar a eleição em um clima de guerra inexistente, a esquerda aposta na mobilização popular que garantiu as vitórias legislativas de Petro.

Como pontuou o analista Miguel Stédile, “não tem vitória simples na Colômbia”. O desfecho em junho dirá se o país continuará trilhando o caminho da justiça social ou se voltará a ser o posto avançado do imperialismo na Amazônia.

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