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candidato da 3ª via
Santos, do MBL: pré-candidato admite uso de droga alucinógena, já foi acusado de estupro e já discursou ameaçando estuprar em grupo uma mulher. Foto: Reprodução Redes Sociais
BRASIL

Elite cansou de Bolsonaro e agora aposta no MBL

Renan Santos já foi até acusado de estupro

A busca por uma “terceira via” nas eleições de 2026 tem levado a um fenômeno dissonante: a ascensão de figuras que, sob o pretexto de combater o “lulismo” e o “bolsonarismo”, representam uma face ainda mais radical da extrema-direita.

Renan Santos, presidente nacional e fundador do Partido Missão, fundador do MBL e pré-candidato à presidência da República, emerge nesse contexto como um nome que, segundo análises, consegue ser pior que Flávio Bolsonaro. Sim, pior. Um nome que carrega um histórico criminal pesado, com acusação de estupro, virou a grande esperança branca do mercado e da mídia.

As pesquisas de intenção de voto, como a recente Real Time Big Data, têm colocado Renan em destaque, especialmente entre os eleitores de alta renda. Em um dos cenários, na faixa de quem ganha mais de cinco salários mínimos, ele alcança 11% das intenções de voto, superando nomes como Zema (7%) e ficando ligeiramente acima de Caiado (10%).

Nesse segmento, apenas Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem à frente, o que demonstra uma perigosa aceitação de seu discurso entre parcelas da elite econômica.

O desempenho de Renan entre os eleitores de Romeu Zema também é revelador. A pesquisa indicou que, caso seu candidato preferido não disputasse a eleição, 21% dos apoiadores do governador mineiro migrariam para Renan Santos, um índice que se soma aos 28% que iriam para Flávio Bolsonaro e 22% para Caiado. Essa migração de votos aponta para uma base eleitoral que, embora busque uma alternativa, parece gravitacionalmente atraída por discursos de direita radical.

Renan Santos, que subiu na pesquisa, afirmou que “nunca levou a sério” o instituto, mas não hesitou em se comparar a Abelardo de la Espriella, o candidato de extrema-direita à presidência da Colômbia que chegou ao segundo turno. Essa comparação não é gratuita. Ela revela um alinhamento ideológico e uma estratégia de campanha que ecoa a conversa fiada de “outsider”, sendo ambos metidos até o pescoço na política desde o berço. Renan tem uma família que manda em Vinhedo.

Suas declarações, como “quer matar bandido como se não houvesse amanhã”, são um exemplo claro do radicalismo que ele representa, um discurso que flerta perigosamente com a violência e a desumanização. O lançamento do Missão na Zona Norte de SP tinha como principal estrela um “filósofo” americano chamado Curtis Yarvin, ex-engenheiro de software que se tornou blogueiro sob o pseudônimo Mencius Moldbug. É mais um profeta do Vale do Silício que acredita que a democracia está acabando e somente um monarca moderno ou uma espécie de CEO poderá salvar o mundo. O bilionário Peter Thiel, um xarope pretensioso, financiador de Trump e guru de Elon Musk, é seu fã. O vice-presidente americano JD Vance é outro.

A pesquisa também destaca uma forte demanda por uma alternativa à polarização, com 48% dos entrevistados afirmando estar cansados da disputa entre lulismo e bolsonarismo.

Em um primeiro cenário estimulado, Renan sinaliza 6% das intenções de voto, tendo subido 3 pontos desde a última rodada e empatado com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Embora ainda esteja atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 38%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que tem 31%, seu crescimento é um sinal de alerta.

Ele ainda afirmou que tem interesse em “fazer a economia funcionar”, “fazer todas as reformas possíveis e imagináveis” e “desfavelizar o Brasil”, de modo com que ele “se torne em 30 anos uma das cinco maiores nações do mundo”. Cristiano Beraldo, um dos investigados na megaoperação que desarticulou um esquema bilionário de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro com a Reag, do foragido Ricardo Magro, foi líder do MBL e doador do Missão. Ele era o Plano A da turma.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o presidenciável garantiu que vai ganhar as eleições de outubro, atribuindo sua ascensão na pesquisa a um ajuste na metodologia do instituto. “Aqui no Brasil, tal qual na Colômbia, eu sou a novidade das eleições. Eu não tenho rabo preso com ninguém”, afirmou. Declarou que “arrasaria” Lula nos debates, que “não está preso nas discussões idiotas que envolvem os grandes partidos brasileiros” e que “quer matar bandido como se não houvesse amanhã”.

A ascensão de Renan Santos, com seu discurso radical e seu histórico controverso, representa um desafio significativo para a democracia brasileira. A busca por uma “terceira via” virou um atalho para a normalização de fascistas apenas por não terem o sobrenome Bolsonaro. Me engana que eu gosto.

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