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delação de Daniel Vorcaro
Como tentou passar a perna nos investigadores, protegendo uma série de personagens que constam nos autos a partir das interceptações no celular, delação de Daniel Vorcaro foi rejeitada pela PF. Foto: SAP/Fotos Públicas
BRASIL

Vorcaro esconde Flávio Bolsonaro e delação flopa

Ex-dono do Banco Master omite crimes e recusa devolver bilhões

A tentativa do banqueiro Daniel Vorcaro de comprar impunidade com uma delação seletiva está prestes a naufragar. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) estudam rejeitar a segunda proposta de colaboração da defesa do dono do falido Banco Master. O motivo é simples: o líder do esquema bilionário quer os benefícios da lei, mas se recusa a entregar provas e tenta proteger aliados da extrema direita.

Na semana passada, a defesa entregou uma nova versão do acordo, após a primeira ser considerada fraca. No entanto, a maquiagem não funcionou. A maior dificuldade do banqueiro preso é comprovar os relatos que faz. O Banco Central liquidou o Master em novembro, e a obtenção de documentos internos demanda tempo. Além da falta de provas, a proposta carece de ineditismo e esbarra na recusa em devolver rapidamente os R$ 60 bilhões desviados nas fraudes.

Proteção aos caciques do bolsonarismo

O que Vorcaro chama de delação, a PF enxerga como acobertamento. O ex-banqueiro omitiu deliberadamente as suspeitas envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da operação Compliance Zero. A investigação policial já estava avançada nesse flanco, mas o delator fingiu que o caso não existia.

A omissão mais escandalosa envolve o clã Bolsonaro. Vorcaro “esqueceu” de citar o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram que o banqueiro priorizou o patrocínio da obra após pressão direta de Flávio Bolsonaro. Proteger a família que lhe abriu as portas do poder parece ser a verdadeira prioridade.

A conta bilionária nas costas do povo

Enquanto Vorcaro negocia de dentro de uma cela especial na PF em Brasília, o rombo deixado por sua gestão criminosa assombra o país. Os custos da quebra do Master já superam R$ 57 bilhões. A PGR e a PF exigem o ressarcimento de R$ 60 bilhões em curto prazo, condição inegociável para quem liderou o esquema.

A recusa em aceitar uma delação pela metade mostra que as instituições não vão chancelar um acordo que blinda políticos corruptos e perdoa o roubo do capital financeiro. Para a elite, a delação é balcão de negócios; para o Brasil, é a chance de expor o neofascismo.

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