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Proibição de redes sociais
O Reino Unido anunciou a proibição de redes sociais para menores de 16 anos. Entenda o impacto da lei e o desespero das Big Techs. Foto: Magnifik
CIÊNCIA & TECNOLOGIA

Reino Unido proíbe redes sociais para menores de 16

Medida tenta frear abusos infantis impulsionados por algoritmos

No Reino Unido, a partir de março do ano que vem, as redes sociais serão proibidas para menores de 16 anos. A regra vale para TikTok, Instagram e YouTube e quaisquer plataformas similares. A medida, anunciada pelo premiê Keir Starmer, exige verificação de idade por reconhecimento facial para frear a epidemia de abusos e extorsões sexuais contra crianças, um mercado macabro facilitado pela omissão deliberada das gigantes da tecnologia.

A decisão britânica expõe o fracasso da autorregulação. Deixar a segurança das crianças nas mãos de corporações que lucram com engajamento a qualquer custo provou ser um desastre. O Estado precisou intervir porque o modelo de negócios das plataformas depende de manter os usuários, inclusive os mais vulneráveis, reféns das telas.

Atualmente, o Reino Unido registra uma denúncia de abuso sexual infantil a cada cinco minutos. Predadores usam essas plataformas livremente para incentivar automutilação e extorquir jovens. A nova lei segue os passos da Austrália e ameaça multar e responsabilizar criminalmente os executivos que não barrarem imagens de nudez enviadas a menores.

Chantagem barata

A reação das corporações foi imediata e previsível. YouTube, Meta e Snapchat correram para divulgar notas afirmando que a proibição vai empurrar os jovens para sites menos seguros. É a velha tática de chantagem: as mesmas empresas que lucram bilhões com algoritmos que adoecem adolescentes agora fingem preocupação com a segurança deles na dark web.

O argumento das plataformas ignora um ponto central. Elas não querem proteger os jovens; querem proteger a própria base de usuários e a coleta massiva de dados. A Meta, por exemplo, defende que a verificação de idade seja feita pelos sistemas operacionais, empurrando a responsabilidade para a Apple e o Google. Ninguém quer assumir a conta do estrago social que ajudaram a criar.

Caminho promissor, mas ainda não é o ideal

No entanto, a solução do governo britânico também carrega contradições graves. Exigir reconhecimento facial e envio de documentos para acessar a internet significa entregar ainda mais dados sensíveis para empresas com históricos tenebrosos de vazamentos. O Estado tenta consertar um problema de privacidade criando um aparato de vigilância em massa.

Compartilhe isso. Mande para alguém que precisa ver como as gigantes da tecnologia operam quando seus lucros são ameaçados.

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