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acordo fortalece Sul Global
Petroleiros e cargueiros iranianos navegaram sem serem molestados pelo cerco marítimo dos EUA na madrugada da segunda-feira. Foto: PressTV
GEOPOLÍTICA

Acordo expõe limite dos EUA e anima o Sul Global

Vitória de Teerã mostra ao Sul Global que o império sangra

Pelo menos três petroleiros iranianos e dois navios cargueiros transportando bens essenciais conseguiram passar pelo bloqueio naval dos EUA sem serem atacados, informou nesta manhã a Press TV, emissora iraniana. As embarcações atravessaram o bloqueio na noite de segunda-feira, marcando a primeira vitória operacional do memorando de entendimento recém-finalizado entre o Irã e os Estados Unidos.

Os navios, que estavam retidos há meses em meio ao cerco montado ilegalmente pelos EUA em torno do Irã, navegaram por águas internacionais sem impedimentos. É um sinal, ainda frágil, de respeito aos termos do acordo de paz anunciado no fim de semana.

Por outro lado, o Irã avisou nesta terça-feira (16) que qualquer novo ataque de Israel ao Líbano anulará o acordo de paz. A imposição de limites à máquina de guerra sionista representa uma vitória diplomática que reverbera em todo o Sul Global, provando que a hegemonia imperialista de Washington e Tel Aviv pode ser dobrada pela resistência organizada.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, foi categórico ao explicar os termos do memorando que será assinado na sexta-feira (19), na Suíça.

“Esta é, talvez, a questão mais importante do memorando: a declaração de um fim imediato e permanente da guerra em todos os fronts, incluindo o Líbano”, afirmou o chanceler. Ele ressaltou que “pôr fim à guerra no Líbano é parte inseparável do fim completo da guerra”.

Para os países do Sul Global, o recuo forçado dos Estados Unidos é um marco. O presidente norte-americano, Donald Trump, chegou ao ponto de criticar publicamente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Preocupado com o desgaste político, Trump reclamou que a matança no Líbano “lança uma luz negativa sobre o grande acordo, que é o acordo com o Irã”. A pressa de Washington em encerrar o conflito iniciado em fevereiro evidencia o esgotamento do poder de fogo do Ocidente frente à articulação de nações soberanas.

A resistência dita as regras do jogo

A diplomacia iraniana deixou claro que não aceitará a manutenção de tropas invasoras. Araghchi advertiu que “qualquer ataque militar por parte do regime sionista contra o Líbano, de agora em diante, e a ocupação contínua de territórios libaneses a partir de agora serão considerados uma violação do memorando de entendimento”.

Enquanto Netanyahu insiste na bravata de que suas forças permanecerão nos territórios ocupados, o Irã mantém sua guarda alta. O porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, lembrou que o imperialismo falhou em seus objetivos militares. As Forças Armadas do país seguem em alerta máximo, com “os olhos abertos e as mãos no gatilho”.

O Sul Global, sobretudo a América Latina, que está em plena tomada imperialista, assiste a uma demonstração prática de que a submissão não é o único caminho. Quando um país periférico se levanta e impõe suas linhas vermelhas, o império é obrigado a recuar.

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