O relógio está correndo contra a impunidade. Na próxima quinta-feira, 25 de junho, chega ao fim o prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao ex-presidente golpista condenado Jair Bolsonaro. Com a iminência de retornar ao 19º Batalhão da Polícia Militar, a famosa Papudinha, o líder da extrema direita colocou em marcha uma farsa médica e jurídica que escancara os privilégios da burguesia fascista perante a lei.
Como em um roteiro previsível, a equipe médica do inelegível começou a plantar na imprensa informações de que a sua velha crise de soluço teria piorado. O “boletim” dos médicos foi alegremente publicado por G1, CNN, Veja, Poder360, Gazeta do Povo. A manobra tenta criar um álibi clínico para forçar o STF a prorrogar o benefício da prisão domiciliar. No entanto, a farsa do paciente terminal desmorona diante das petições de seus próprios advogados.
Enquanto os médicos vendem a imagem de um homem debilitado pelos soluços, a defesa de Bolsonaro protocolou um pedido oficial no STF para ele receber visitas em casa no dia da estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo. Moraes auotizou a entrada da nora, Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio Bolsonaro (PL), e as filhas do casal, com idades entre 14 e 12 anos. Eles não puderam ficar até a hora do jogo.
A hipocrisia é gritante. Para voltar à cadeia e pagar pelos crimes contra a democracia, o ex-presidente alega estar gravemente doente. Para organizar festas particulares com a família e aliados durante o mundial, a saúde parece estar em perfeitas condições.
A justiça de classes e o deboche fascista
A situação expõe a seletividade do sistema penal brasileiro. Se um trabalhador comum, negro e periférico, estivesse condenado por tentar dar um golpe de Estado, nenhuma crise de soluço o tiraria de uma cela superlotada. Para o líder do neofascismo, no entanto, a prisão domiciliar virou um escudo que ele agora tenta transformar em camarote para a Copa do Mundo.
Caberá a Alexandre de Moraes decidir se o Supremo Tribunal Federal vai engolir a encenação médica ou se fará valer a lei. O prazo de 24 de junho exige uma nova perícia para atestar se Bolsonaro tem ou não condições de retornar ao cárcere. A classe trabalhadora, que sofre diariamente com a mão pesada do Estado, exige que o deboche acabe. Lugar de golpista não é no sofá assistindo a jogo de futebol, é atrás das grades.





Deixe seu comentário