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Lula soberania digital G7
Presidente Lula durante reunião ampliada do G7 sobre o tema “Relançar um crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentável, em benefício de todos”, em Évian-les-Bains - França. Foto: Ricardo Stuckert/PR
BRASIL

Lula peita Big Techs e exige soberania do Sul Global

No G7, Brasil defende o Pix contra o monopólio digital

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o palco da cúpula do G7 em Évian, na França, nesta quarta-feira (17), para dar uma aula de soberania digital aos países mais ricos do mundo. Durante o painel sobre inteligência artificial e proteção de menores, Lula não mediu palavras ao cobrar uma atuação ética e responsável das gigantes da tecnologia, as chamadas “Big Techs”, alertando que a tecnologia deve servir para reduzir desigualdades, e não para aprofundar o abismo social entre o Norte e o Sul Global.

Para o nosso presidente, o futuro digital não pode ser um território sem lei dominado por bilionários do Vale do Silício.

“O engajamento das grandes empresas de tecnologia é indispensável para que o futuro digital seja construído e vivido de forma segura, ética e alinhada ao interesse público”, afirmou Lula.

O presidente sustentou que a regulação desse ecossistema é a única forma de proteger direitos fundamentais contra o avanço do discurso de ódio e da precarização do trabalho mediada por algoritmos.

O Pix como exemplo de Estado eficiente

Enquanto as potências ocidentais patinam em modelos privatistas de inclusão digital, Lula esfregou o sucesso do Pix na mesa de trabalho do G7. Ele classificou o sistema brasileiro de transferências instantâneas como “uma de nossas maiores entregas para o cidadão brasileiro”, destacando que se trata de um sistema de pagamento público e gratuito. Para Lula, o Pix é a prova viva de que dados integrados sob gestão estatal podem promover eficiência e inclusão financeira real, sem as taxas extorsivas do sistema bancário tradicional.

O discurso também mirou a proteção à infância e a necessidade de diretrizes globais contra crimes cibernéticos. Lula reforçou que os países soberanos precisam avançar em instâncias internacionais legítimas, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Internacional de Telecomunicações (UIT), para estabelecer uma governança democrática da inteligência artificial. O recado foi claro: o Sul Global não aceitará passivamente as regras impostas pelo monopólio tecnológico estrangeiro.

Diplomacia e o Pacto Digital Global

Apesar das tensões bilaterais e do encontro protocolar com figuras como Donald Trump, a diplomacia brasileira manteve o foco no fortalecimento de um ambiente digital doméstico baseado em segurança jurídica e igualdade de tratamento. Lula citou os progressos do Pacto Digital Global da ONU e apontou o Diálogo Digital da UIT, em julho, como o próximo campo de batalha pela democratização da rede.

Ao encerrar sua manifestação, o presidente brasileiro reafirmou a universalidade das Nações Unidas como o foro insubstituível para o equilíbrio democrático global. Em um mundo onde as Big Techs tentam agir como Estados soberanos, Lula lembrou ao G7 que a soberania ainda reside nos povos e na capacidade de regulação pública do interesse coletivo.

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