O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o palco da cúpula do G7 em Évian, na França, nesta quarta-feira (17), para dar uma aula de soberania digital aos países mais ricos do mundo. Durante o painel sobre inteligência artificial e proteção de menores, Lula não mediu palavras ao cobrar uma atuação ética e responsável das gigantes da tecnologia, as chamadas “Big Techs”, alertando que a tecnologia deve servir para reduzir desigualdades, e não para aprofundar o abismo social entre o Norte e o Sul Global.
Para o nosso presidente, o futuro digital não pode ser um território sem lei dominado por bilionários do Vale do Silício.
“O engajamento das grandes empresas de tecnologia é indispensável para que o futuro digital seja construído e vivido de forma segura, ética e alinhada ao interesse público”, afirmou Lula.
O presidente sustentou que a regulação desse ecossistema é a única forma de proteger direitos fundamentais contra o avanço do discurso de ódio e da precarização do trabalho mediada por algoritmos.
O Pix como exemplo de Estado eficiente
Enquanto as potências ocidentais patinam em modelos privatistas de inclusão digital, Lula esfregou o sucesso do Pix na mesa de trabalho do G7. Ele classificou o sistema brasileiro de transferências instantâneas como “uma de nossas maiores entregas para o cidadão brasileiro”, destacando que se trata de um sistema de pagamento público e gratuito. Para Lula, o Pix é a prova viva de que dados integrados sob gestão estatal podem promover eficiência e inclusão financeira real, sem as taxas extorsivas do sistema bancário tradicional.
Diplomacia e o Pacto Digital Global
Apesar das tensões bilaterais e do encontro protocolar com figuras como Donald Trump, a diplomacia brasileira manteve o foco no fortalecimento de um ambiente digital doméstico baseado em segurança jurídica e igualdade de tratamento. Lula citou os progressos do Pacto Digital Global da ONU e apontou o Diálogo Digital da UIT, em julho, como o próximo campo de batalha pela democratização da rede.
Ao encerrar sua manifestação, o presidente brasileiro reafirmou a universalidade das Nações Unidas como o foro insubstituível para o equilíbrio democrático global. Em um mundo onde as Big Techs tentam agir como Estados soberanos, Lula lembrou ao G7 que a soberania ainda reside nos povos e na capacidade de regulação pública do interesse coletivo.





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