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PF investiga Jaques Wagner
Jacques Wágner é alvo da nona fase da Operação Compliance Zero: apartamento de luxo em Salvador. Foto: Geraldo Magela/Agencia Senado
BRASIL

Sob Lula, PF é livre e investiga até líder do PT

Operação contra Wagner prova autonomia da PF no atual governo

A autonomia das instituições voltou a ser a regra no Brasil. Em um contraste brutal com o aparelhamento promovido pelo bolsonarismo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assiste, sem interferências, ao avanço da Polícia Federal (PF) contra seus próprios aliados. A nona fase da Operação Compliance Zero mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, escancarando como o capital financeiro tenta cooptar o Estado burguês independentemente da coloração partidária.

Wagner é investigado por supostas vantagens indevidas ligadas ao falido Banco Master, do ex-banqueiro corrupto Daniel Vorcaro. A PF aponta o recebimento de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e repasses milionários a empresas de seu núcleo familiar.

Na operação de hoje, a PF apreendeu US$ 49 mil (cerca de R$ 253 mil) e relógios num endereço de Wagner em Brasília. Já na residência de Salvador foram apreendidos US$ 16.795 (cerca de R$ 87 mil), 39.675 euros (cerca de R$ 236 mil) e R$ 16.500.

Entre as transferências do conglomerado Master, destacam-se R$ 11 milhões para uma consultoria de sua enteada e R$ 3,5 milhões para a BN Financeira. Em troca, o senador teria atuado no Congresso Nacional em pautas de interesse do banco, como a regulação do crédito consignado, a ampliação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a tentativa de venda do Master para o Banco de Brasília (BRB).

PF investiga Jaques Wagner

A Polícia Federal (PF) apreendeu US$ 49 mil dólares em espécie (valor correspondente a R$ 250 mil ), em um Hotel em Brasília ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Foto: PF/Fotos Públicas

A resposta do governo e o fim da blindagem

Diante do escândalo batendo à porta do Palácio do Planalto, a postura de Lula foi categórica. Longe de impor sigilos de cem anos ou trocar delegados para proteger amigos, o presidente repetiu à sua equipe que a PF deve fazer o que precisa ser feito. Lula adotou o discurso de que qualquer pessoa sob suspeita precisa prestar esclarecimentos, lembrando que foi sob sua gestão que o Banco Central e a PF investigaram as fraudes, liquidaram o Master e prenderam Vorcaro.

O caso Master revela as entranhas do sistema financeiro, que não hesita em distribuir propinas, jatos e imóveis para garantir monopólios e lucros obscenos. A investigação sobre Jaques Wagner é um golpe duro para o governo, mas destrói a narrativa da extrema direita de que o PT blinda os seus.

Para a classe trabalhadora, a lição é clara. A corrupção é o método de funcionamento da burguesia, e a única defesa da sociedade é um Estado com instituições livres para investigar o topo da pirâmide, doa a quem doer.

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