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Sul Global vence no futebol
COPA 2026 - Brasil vira para cima do Japão e vai às oitavas de final, Casemiro e Gabriel Martinelli marcam no segundo tempo depois de Sano abrir o placar. Seleção espera vencedor de Noruega x Costa do Marfim. Gabriel Martinelli foi o herói da classificação do Brasil às oitavas de final da Copa. Autor do gol da vitória por 2 a 1 sobre o Japão. Foto: Rafael Ribeiro/CBF
ESPORTES

Dia de surra do Sul pobre no Norte rico

Brasil, Paraguai e Marrocos batem o Norte Global

O Norte Global adora dar aula para o resto do mundo. Ontem recebeu uma surra dentro de campo. Em 24 horas, três seleções do Sul Global eliminaram três potências do Norte: Brasil venceu o Japão de virada por 2 a 1, Paraguai eliminou a Alemanha nos pênaltis por 4 a 3 e Marrocos despachou a Holanda.

Não teve PIB. Não teve G7. Não teve soberba. Teve bola na rede.
O futebol não é o esporte mais popular do planeta por acaso. Diferente do automobilismo, do iatismo ou do golfe — esportes que exigem equipamentos caros, patrocínios pesados e estrutura de clube —, o futebol precisa de uma bola. E se não tem bola, improvisa-se com uma lata amassada, uma meia velha, um punhado de trapos amarrados. É o esporte dos pobres, dos excluídos, dos filhos do Sul Global.
Foi com uma bola de meia que Pelé aprendeu a dominar. Foi chutando latas nas ruas de Fiorito que Maradona nasceu. E foi nos campos de várzea do Paraguai, nos terrenos baldios do Marrocos, nas praias do Brasil, que os jogadores que ontem venceram o mundo aprenderam que a hierarquia econômica não vale dentro das quatro linhas.

A rebelião dos que não têm nada

Alemanha e Holanda estão entre as dez maiores economias do mundo. Suas ligas de futebol movimentam bilhões de euros. Seus jogadores são formados em centros de excelência financiados por multinacionais. O Paraguai, ao contrário, é um país marcado por golpes de estado, dívida externa e dependência econômica. O Marrocos carrega o peso do colonialismo europeu, que durante décadas saqueou suas riquezas e subjugou seu povo.

Em campo, nada disso importa. Por isso o futebol é revolucionário: ele cria, em 90 minutos, uma realidade paralela onde o mais fraco pode vencer o mais forte. O moleque que não tem o que comer pode, com um drible, colocar na roda o milionário que nunca passou fome. É a única arena onde o capitalismo não determina o resultado.
O Paraguai eliminou a Alemanha nos pênaltis, com gols de palmeirenses. O Brasil virou sobre o Japão no último minuto. Marrocos repetiu a campanha histórica de 2022. Em um mundo onde o Norte dita as regras, impõe sanções e explora recursos — onde o FMI dita a política econômica do Sul Global —, o futebol devolve, em noventa minutos, o que a política e a economia insistem em negar. Heróis não nascem do dinheiro. Nascem da necessidade

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