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Fifa anula cartão Trump
Dois momentos da Copa da Vergonha: camisa do Haiti vetada por homenagear a independência do país e entrada criminosa de Balogun em jogador da Bósnia que gerou um cartão vermelho anulado a pedido de Trump.
ESPORTES

A Copa da vergonha: Fifa se curva ao imperialismo

Torneio é marcado por série de abusos dos EUA

A Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, já pode ser enterrada não como um torneio de futebol, mas como o maior escândalo político da história do esporte. O que se viu ao longo de duas semanas foi a Fifa se arrastando como um cachorro acuado diante dos caprichos do imperialismo ianque, numa sucessão de vergonhas que culminou com o presidente Donald Trump ligando pessoalmente para o presidente da entidade, Gianni Infantino, para pedir a anulação de um cartão vermelho. E a Fifa atendeu!

O capítulo final, porém, reservou a justiça que o campo insiste em fazer quando os cartolas se recusam: na noite desta segunda-feira (6), a Bélgica meteu 4 a 1 nos Estados Unidos e eliminou o anfitrião nas oitavas de final, provando que, no fim das contas, a bola ainda sabe driblar a subserviência.

O currículo de vergonhas da Copa do Imperialismo

Antes do ápice protagonizado por Trump e Infantino, a lista de arbitrariedades já era extensa. A Fifa proibiu a torcida haitiana de usar uma camisa em homenagem à independência do país — afinal, qualquer símbolo de resistência ao colonialismo é incômodo quando se joga sob o olhar do Tio Sam.

Aceitou sem questionar que os EUA barravam um árbitro da Somália e impediam a entrada de um torcedor da República Democrática do Congo no país. Ignorou solenemente o fato de que a seleção do Irã era submetida a humilhações burocráticas e banida do território americano a cada partida  disputada. O futebol, supostamente universal, virou um clube privado com porteiro armado.

A cereja do bolo chegou nas oitavas de final. O atacante americano Folarin Balogun foi EXPULSO de forma clara contra a Bósnia — cartão vermelho justo, com direito a relatório de arbitragem e tudo. Mas Trump, que “conhece muito bem o esporte”, segundo suas próprias palavras, ligou para Infantino e pediu a anulação. A Fifa, num estalar de dedos, suspendeu o cartão vermelho usando uma brecha regulamentar digna de “jeitinho” de quinta categoria.

O técnico da Bélgica, Thomas Tuchel, resumiu o absurdo: “Onde isso vai parar?” O primeiro-ministro belga ironizou o caso nas redes sociais. A federação belga recorreu, mas a Fifa negou o recurso sem sequer apresentar justificativa formal — numa violação dos próprios regulamentos, conforme denunciou a Real Associação Belga de Futebol. A entidade informou que não recebeu cópia da decisão, nem o relatório do árbitro. Uma vergonha tão grande que a Bélgica estuda recorrer à Corte Arbitral do Esporte.

A bola redonda ainda tem senso de justiça

Mas o futebol, esse esporte teimoso que insiste em não seguir roteiros de cartório, tratou de escrever seu próprio desfecho. A Bélgica entrou em campo, enfrentou um Balogun “liberado” pelo telefone de Trump e aplicou uma sonora goleada de 4 a 1 nos Estados Unidos, eliminando o país-sede e calando as arquibancadas que tentavam empurrar o falso sonho americano goela abaixo do mundo.

A pergunta que fica é: será que Trump vai ligar para a Fifa pedindo pra cancelar o placar também? Porque, se depender do manual de conduta desta Copa, qualquer coisa é possível. O império pode até dobrar cartolas, mas ainda não aprendeu a chutar uma bola.

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