A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) recebeu um e-mail com ameaças de estupro e esquartejamento, além de dados pessoais de parentes, como CPFs e endereços residenciais. Candidata à reeleição, ela entregou as provas às autoridades para investigação.
A mensagem partiu de um endereço criptografado do serviço Proton.Me e foi atribuída à chamada “Sociedade Secreta Carbonária”. O autor também tentou intimidar a parlamentar ao mencionar sua carreira política e seu mandato. Natália acionou a Polícia Civil, a Polícia Legislativa e o Ministério Público Eleitoral, que receberam o material para apurar a autoria e as circunstâncias das ameaças.
A violência que vem com endereço
Em nota, a equipe da deputada classificou o episódio como violência política de gênero. “É violência política de gênero, alimentada pelo machismo e pela visão de mundo da extrema direita, que propaga o ódio contra mulheres que ocupam espaços de poder e não aceitam se calar”, declarou.
A deputada relatou que a ameaça foi além do crime descrito em detalhes:
“Receber uma ameaça de estupro e esquartejamento, com detalhes de como esses crimes seriam cometidos, já seria algo de extrema gravidade. Mas essa mensagem foi além, também trouxe CPFs, endereços e informações de pessoas próximas a mim e à minha família”.
A mensagem não ameaça apenas a parlamentar, ameaça a família inteira, com dados reais na mão do fascista.
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A perseguição que não é só virtual
Natália afirmou que também sofreu perseguição de um candidato do Partido Liberal (PL) nesta semana. Segundo ela, o homem tentou intimidá-la enquanto a filmava e fazia xingamentos. “Eles querem que tenhamos medo e que deixemos de ocupar os espaços de decisão”, disse. A deputada afirmou que seguirá em atividade política apesar das intimidações.
Esta não é a primeira ameaça de morte relatada por Bonavides. Em 2024, ela recebeu uma mensagem que dizia que seria levada a um canavial para “dar cabo dela”. Em abril deste ano, o apresentador Ratinho virou réu na Justiça Eleitoral de São Paulo por suspeita de violência política contra a mulher, por ter sugerido usar uma “metralhadora” para “eliminar” a deputada por causa de um projeto de lei apresentado por ela.
O padrão que o fascismo não esconde
A Frente Livre não cansa de apontar: a violência contra mulheres na política não é caso isolado, é método. Dias antes, a Polícia Federal passou a apurar ameaças de morte e estupro corretivo contra a vereadora de Natal e candidata a deputada federal Brisa Bracchi (PT), que recebeu mensagens misóginas, LGBTfóbicas e violentas, com data marcada para a execução e transmissão ao vivo anunciada. Duas mulheres do PT, no mesmo estado, ameaçadas pelo mesmo fascismo, na mesma semana.
Brisa já enfrentou a tentativa de cassação orquestrada por vereadores bolsonaristas e pelo movimento MBL, processo tão esquisito que a Justiça do Rio Grande do Norte mandou suspender a sessão por ilegalidades graves. Agora, a deputada que defendeu Brisa publicamente, Natália Bonavides, vira alvo direto. A escalada é clara: primeiro tentam cassar, depois ameaçam, depois prometem estuprar, esquartejar e matar.
O fascismo quer que mulheres tenham medo e deixem de ocupar os espaços de decisão. Natália e Brisa respondem do jeito que a Frente Livre respeita: seguindo em atividade, entregando as provas às autoridades e não se calando. A “Sociedade Secreta Carbonária” pode se esconder atrás de um e-mail criptografado, mas o padrão é o mesmo de sempre: o ódio da extrema direita contra quem não aceita se calar. Elas não vão se calar.
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