O streamer GH Rell RJ, acusado de homofobia contra o ator João Victor Gonçalves, transformou a própria responsabilização em discurso político. Em vídeo divulgado neste sábado (5), ele atacou o PT, declarou admiração por Jair Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente está preso injustamente. A reação veio depois de a deputada Erika Hilton anunciar que acionaria o Ministério Público contra o streamer e a plataforma Kick.
Vamos deixar claro o que aconteceu, porque a narrativa do streamer tenta inverter os fatos. Na madrugada de sábado, GH e amigos seguiram João Victor pela rua durante uma transmissão ao vivo, nos arredores do Rock in Rio. Filmaram o ator sem consentimento, fizeram comentários como “cara horroroso” e “meteu um tomate”, em referência à roupa vermelha que ele usava. Um dos homens levantou um saco preto que quase atingiu a cabeça do artista. João Victor, que interpreta Mau Mau na novela “Quem Ama Cuida” — personagem que enfrenta a homofobia dentro de casa —, apareceu chorando ao comentar o episódio. “Impunes não vão ficar. Homofobia é crime”, disse o ator. “Homofobia não é entretenimento.”
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O streamer, então, tentou se defender. Primeiro publicou uma retratação condicionada: disse que pretendia fazer “entretenimento”, reclamou das críticas e afirmou “se eu errei, peço desculpas”. Depois negou ter preconceito, apesar de reconhecer que participou da abordagem e que riu “forçado” para produzir conteúdo. E por fim, em vez de assumir o erro, atacou o PT e elogiou Bolsonaro. É o padrão clássico do bolsonarismo: quando é flagrado, culpa a esquerda e se faz de vítima.
Estou acionando o Ministério Público contra esses streamers e contra a própria plataforma ‘KICK’.
Gravar uma pessoa na rua, sem mais nem menos, submetê-la ao deboche e ofensas de teor homofóbico e transmitir tudo isso ao vivo não é entretenimento.
E isso vale pros streamers e… https://t.co/9TYfRxsh3g
— ERIKA HILTON 5070 ✨ (@ErikakHilton) September 5, 2026
Há ainda uma mentira que precisa ser corrigida. GH disse que Bolsonaro está “preso injustamente”. Não está. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses após ser condenado pelo STF por cinco crimes relacionados à trama golpista — entre eles golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada. A condenação não foi determinada por Lula nem pelo PT. Foi decisão da Justiça, com base em provas. Chamar isso de prisão injusta é desinformação.
A deputada Erika Hilton foi precisa: filmar uma pessoa, submetê-la a deboche e transmitir ofensas de teor homofóbico não pode ser tratado como entretenimento. Homofobia é crime. E quem a pratica, seja em live ou na rua, responde por ela — não importa de quem é o discurso de defesa.
A contradição central
O streamer perseguiu um ator na rua, filmou sem consentimento, debochou e quase o acertou com um saco. Flagrado, em vez de assumir o erro, culpou o PT e disse amar um condenado por golpe de Estado. E ainda espalhou a mentira de que Bolsonaro está preso injustamente — quando ele cumpre pena de 27 anos por decisão do STF, não de Lula. Homofobia não vira política para fugir da responsabilidade.






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