Em plena campanha eleitoral de 2026, mulheres de esquerda viraram alvo de uma onda coordenada de violência política de gênero. Do Rio Grande do Norte a Minas Gerais, candidatas recebem ameaças de morte, estupro, estupro corretivo e esquartejamento — com dados pessoais e de familiares nas mãos dos agressores. No Rio Grande do Sul, material de rua das candidatas é rasgado. A deputada Manuela D’Ávila (PSOL-RS) é uma das atingidas. Duda Salabert (PSOL-MG) sofreu um atentado na Serra do Curral, em Belo Horizonte, na sexta-feira à noite, quando fiscalizava mineração ilegal. A direita é covarde, é nojenta. E o medo é exatamente o que querem plantar.
Também em Minas, a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) a deputada federal Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, recebeu ameaças racistas de morte e estupro por e-mail. O autor se apresentou como integrante de grupo supremacista branco, citou dados pessoais da candidata e ameaçou a família. A Polícia Militar registrou o caso como ameaça e injúria racial. A advogada Maria Júlia Alvim, da campanha, sustenta que o episódio reúne indícios de ameaça, racismo e violência política de gênero.
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O padrão que o fascismo não esconde
No Rio Grande do Norte, três mulheres do PT foram ameaçadas na mesma semana. A vereadora de Natal e candidata a deputada federal Brisa Bracchi recebeu ameaças de morte e estupro “corretivo”, com data marcada para a execução e transmissão ao vivo anunciada. “Eles verão exatamente por que homens são criaturas superiores destinadas a governar enquanto mulheres servem apenas como estoque de reprodução”, dizia um dos textos. A Polícia Federal apura o caso.
A deputada federal Natália Bonavides, candidata à reeleição, recebeu e-mail com ameaças de estupro e esquartejamento, além de CPFs e endereços de parentes. “Receber uma ameaça de estupro e esquartejamento, com detalhes de como esses crimes seriam cometidos, já seria algo de extrema gravidade. Mas essa mensagem foi além”, declarou. A candidata a deputada estadual Juliana Garcia, sobrevivente de tentativa de feminicídio (levou 61 socos do então namorado, a agressão foi fillmada pela câmera de segurança do elevador), precisou fechar os comentários dos vídeos após comentários como “Ficou viva essa praga?” e “os socos foram excelentes pra ela”.
Elas não vão recuar
A presidenta estadual do PT e candidata ao Senado, Samanda, respondeu à altura: “Mulheres do meu partido estão sendo ameaçadas de morte, de violência sexual, de estupro corretivo e esquartejamento. São ameaças covardes que têm como objetivo nos amedrontar e nos retirar da disputa política”. E completou: “Nós somos como a haste fina: qualquer brisa verga, mas nenhuma espada corta. Sigamos”.
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O fascismo tenta calar quem ocupa espaço de poder. Mas o efeito é o contrário. Do estupro corretivo ao rasgo de cartaz, a violência é o método de quem não tem argumento. Elas seguem de pé — e a Frente Livre segue ao lado.






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