O ministro André Mendonça liberou neste domingo (6) para julgamento do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) o relatório da Polícia Federal (PF) que aponta indícios de relação entre o colega Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Quem define a data é o presidente do tribunal, Edson Fachin, que não deve decidir antes de sexta-feira (11), prazo concedido para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Moraes e Mendonça se manifestarem. Movimento aparentemente protocolar. Na prática, é a engrenagem de um jogo em que ninguém quer pisar no freio.
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O relator que não pode recuar
Mendonça é o maior cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro na campanha presidencial. A cada nova crise do candidato, o relator do caso Master ganha mais um motivo para manter o incêndio aceso: a narrativa contra Moraes alimenta o bolsonarismo e desvia o noticiário da delação que dorme na gaveta do Dark Horse. Tirar o pé do acelerador significaria devolver o holofote para os repasses que podem enterrar Flávio. Ele não pode.
Gonet pediu a nulidade de toda a apuração: “Ao pedir que fossem examinados os elementos de investigação, não importando quem fosse a autoridade, o ministro relator impôs a investigação do ministro Alexandre de Moraes”. Quase 190 das 218 páginas do relatório tratam do colega de Corte. Para o procurador-geral, Mendonça “não poderia deixar de o saber”.
O conchavão e a dissonância
No horizonte, segue o velho conchavão. Fachin ofereceu a receita: código de ética, fim do inquérito das fake news e “modernização do sistema de Justiça”. Prometeu resposta “firme, proporcional e rigorosa” que ainda não veio. O plano de salvar os dois ministros está desenhado — mas tem uma dissonância incômoda. O ministro Flávio Dino questionou a promessa de encerrar um inquérito por decreto: “É possível a um julgador, qualquer que seja ele, ‘prometer’ o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?” E alertou que “problemas reais e graves estão sendo misturados com interesses eleitorais e econômicos”.
A síntese é esta: Mendonça precisa do incêndio até outubro; Fachin precisa apagá-lo antes da eleição; Dino recusa o atalho. O plenário da próxima semana será o palco. Resta saber se a Corte vai julgar os fatos ou negociar a própria sobrevivência. A Frente Livre segue cobrando o que o presidente Lula pediu: investigar todo mundo, doa a quem doer.






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