Circo de Mendonça blindou Flávio na reta final

Manobra contra Lulinha e Moraes tirou o foco do BolsoMaster

Por Redação

A missão de André Mendonça está cumprida. A menos de um mês do primeiro turno, o tumulto provocado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) fez o serviço: primeiro com a ofensiva relâmpago contra Lulinha, filho do presidente Lula — três inquéritos autorizados em uma semana —, depois com a exposição escandalosa da suposta relação do colega Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficou fora dos holofotes por mais de 30 dias. E ele é suspeito de corrupção.

A corrupção que mora na gaveta

Enquanto o país olha para o circo, o essencial dorme. Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para o filme Dark Horse, cinebiografia do pai, e recebeu ao menos R$ 61 milhões. O mesmo banco era inflado com R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro, na gestão de Cláudio Castro (PL) — governador que o clã Bolsonaro ajudou a eleger e com quem divide palanque e partido no Rio. A Polícia Federal (PF) classificou a gestão de investimentos do fundo como um “almanaque de irregularidades”.

A delação que pode enterrar tudo isso dorme na gaveta do próprio relator. O sigilo bancário e fiscal de Flávio segue intacto. O caso do ex-governador, cujos mandados de busca foram expedidos pelo próprio Mendonça, ficou 75 dias parado em seu gabinete. A régua é essa: acelerar contra quem incomoda, engavetar quem protege.

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A cortina do monitoramento

Para sustentar a cortina, o ministro afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e suspendeu os relatórios de inteligência sob a alegação de “monitoramento” — a tal “arapongagem institucional”. O ministro Flávio Dino devolveu o cargo hoje: o Partido Novo não tinha legitimidade para pedir o afastamento, e o encontro de Mendonça com Vorcaro torna a interferência “mais grave”. Delegados que atuam nos inquéritos do relator cogitam deixar as equipes. Juristas falam em crise sem precedentes na Corte.

Em seu despacho, Dino escreveu:

“ao Exmo. Presidente da República, autoridade competente para a nomeação do Diretor-Geral da Polícia Federal (art. 2º-C da Lei nº. 9.266/1996 c/c art. 1º, parágrafo único, do Decreto nº. 9.794/2019), que assegure a imediata reintegração de ANDREI AUGUSTO PASSOS RODRIGUES aos cargos de Delegado e de Diretor-Geral da Polícia Federal e de LEANDRO ALMADA DA COSTA aos cargos de Delegado e Diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal, com o restabelecimento integral de suas respectivas atribuições funcionais. Esta determinação ficará vigente até o integral cumprimento, pela Polícia Federal, das medidas determinadas por esta Relatoria, em autos a mim distribuídos, sem interrupção decorrente de interferência externa;”

A régua seletiva

A mesma semana revelou a régua na prática. Mendonça mandou tirar a tornozeleira eletrônica de Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, ex-ministro do Trabalho de Bolsonaro e ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigado no esquema de descontos ilegais em aposentadorias — a quem a PF atribui papel “estratégico”. Afrouxa para investigados do bolsonarismo enquanto aperta contra quem investiga.

O empate que explica o acelerador

A pesquisa Meio/Ideia desta quarta-feira (9) mostra empate técnico: 46% a 46% no segundo turno, com Flávio subindo três pontos — o pior desempenho de Lula contra o candidato desde maio. Com Lulinha e Moraes ocupando o noticiário por mais de um mês, o candidato suspeito de corrupção chegou à reta final sem precisar responder por ela. A própria campanha do PL teme o “tiro no pé”: Moraes e Dino podem “dobrar a aposta” e impulsionar as investigações sobre o Dark Horse.

Tudo trancado a sete chaves — até depois de 4 de outubro. Se o país não acordar, a gaveta abre depois da festa.

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