Edson Fachin bateu o punho na mesa nesta quarta-feira (9). O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu os efeitos das decisões de André Mendonça — que afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues — e de Flávio Dino, que o reintegrou. Tirou o inquérito das fake news das mãos de Alexandre de Moraes. Marcou para 15 de setembro o julgamento em plenário do embate entre os ministros. E a imprensa cantou: Fachin “baixou a bola”, “reduziu a fervura”, “restaurou a ordem”. É pura bobagem. Acalmar o incêndio não desfaz o que o fogo já consumiu.
A calma que não existe
O que André Mendonça queria fazer, ele fez — com total eficiência. Primeiro, a ofensiva relâmpago contra Lulinha, filho do presidente Lula: três inquéritos autorizados em uma semana. Depois, a exposição da relação do colega Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, com o relatório da PF vazado na hora exata em que o bolsonarismo precisava de munição. O resultado está nas pesquisas. O Datafolha de 3 de setembro, o primeiro após o início da crise, mostrou a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro caindo à metade desde maio. O Meio/Ideia de hoje cravou o empate: 46% a 46%, com o candidato do PL subindo três pontos. Flávio não derreteu. Flávio subiu — enrolado até o pescoço na corrupção do Banco Master.
O relógio que não volta
É aí que mora a vitória de Pirro de Dino e Fachin. O primeiro venceu nos autos, com a pergunta que desmonta a parcialidade do relator: “uma parte pode ser juiz de si mesma?” O segundo venceu no rito, ao centralizar as apurações e convocar o plenário. Mas Mendonça venceu no tempo — a única dimensão que importa a 25 dias do primeiro turno. Trinta dias de cortina de fumaça tiraram o candidato do centro da tempestade. O caso Dark Horse, a delação que pode enterrá-lo, o sigilo bancário que segue intacto: tudo trancado na gaveta do próprio relator. Até a rendição histórica veio no pacote: o inquérito das fake news, aberto em 2019 e caçado pelo bolsonarismo desde então, saiu de Moraes de bandeja.
A “volta à calma” não reabre o noticiário sobre os R$ 134 milhões pedidos por Flávio a Vorcaro, nem os R$ 3 bilhões do Rioprevidência despejados no Master na gestão de Cláudio Castro. Fachin devolveu a PF, mas não devolve os 30 dias de blindagem. O plenário de 15 de setembro pode até derrotar Mendonça. A eleição é em 4 de outubro — e a gaveta continua trancada. Essa é a vitória de Pirro que ninguém na imprensa quer confessar: eles venceram a crise. Mendonça venceu a campanha.
