Um caso envolvendo a família do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) acaba de acender um novo alerta sobre o uso político de emendas parlamentares e o rastro de corrupção no entorno de figuras da extrema direita. A Polícia Federal prendeu, em flagrante, Glaycon Ranieri de Oliveira, primo de Nikolas, por tráfico de drogas em Minas Gerais. Ele transportava 30 kg de maconha e 4 g de cocaína com destino à cidade de Nova Serrana, reduto político da família.
A prisão foi confirmada por fontes da PF. O veículo conduzido por Glaycon foi interceptado em operação de rotina, e os entorpecentes estavam acondicionados no compartimento de carga. A droga tinha como destino final Nova Serrana (MG), cidade que aparece frequentemente entre os municípios beneficiados pelas milionárias emendas parlamentares destinadas pelo deputado Nikolas Ferreira.
Glaycon é filho de um ex-candidato a prefeito da cidade irmão do pai de Nikolas e a família mantém laços políticos consolidados na região. A apreensão reacende o debate sobre o uso de estruturas políticas e familiares para interesses pessoais, além de levantar suspeitas sobre o direcionamento de recursos públicos.
Embora o deputado ainda não tenha se manifestado oficialmente, a relação direta entre o investigado e o parlamentar gera desconforto entre aliados. Parte da oposição já estuda solicitar investigações sobre os critérios de destinação das emendas para Nova Serrana e outras cidades mineiras ligadas ao clã Ferreira.
A cidade, que conta com menos de 100 mil habitantes, foi contemplada com milhões em verbas públicas nos últimos anos, ainda que enfrente graves problemas de infraestrutura e saúde. A conexão entre a atuação parlamentar de Nikolas e a prisão do primo pressiona ainda mais o discurso moralista adotado pelo deputado nas redes sociais.
[Um peso, duas medidas]
Enquanto o governo Lula reforça investimentos em segurança pública com foco na inteligência e na valorização das forças policiais, casos como o de Glaycon Ranieri expõem a hipocrisia bolsonarista: em público, o discurso do “cidadão de bem”; nos bastidores, o envolvimento com o crime.






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