Um general do Exército, réu por tentar dar um golpe no Brasil, admitiu algo grave. Ele confirmou ter feito um plano para matar ou sequestrar o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. Isso aconteceu durante o depoimento do militar no processo por golpe de Estado, no qual é réu junto com Jair Bolsonaro.
JAMAIS DEIXAR ESQUECER – O PLANO
O militar, general Mário Fernandes, disse ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele próprio criou o plano “Punhal Verde e Amarelo”. Nele, estava escrito como atacar Lula, Moraes e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Mesmo falando que o documento era pessoal, Fernandes confirmou que ele foi impresso dentro do Palácio do Planalto. O detalhe chocante é que, segundo ele, o plano não era para Bolsonaro. Ele afirmou que iria entregar o documento ao general Augusto Heleno, um “grande amigo”. Essa declaração tenta mudar o foco de quem realmente seria o alvo final da informação.
Mário Fernandes é um dos réus do grande processo sobre a tentativa de golpe de 2022. Ele está preso desde o fim do ano passado. No depoimento, que foi por vídeo, o general tentou se defender. Ele disse que ia aos acampamentos golpistas em Brasília “como cidadão”. Segundo ele, era para ver os brasileiros apresentando suas “demandas”. Ele chegou a defender que nem todo mundo no dia 8 de janeiro era golpista. “Chamar as pessoas que tiveram no 8 de janeiro como golpistas, eu posso até aceitar. Todos eles? Ali foram só alguns”, afirmou.
Durante o governo Bolsonaro, Fernandes era uma pessoa importante. Ele era secretário-executivo na Presidência. A polícia investiga que ele era a ligação entre os golpistas acampados e o governo da época. A descoberta do “Punhal Verde e Amarelo” foi um choque. O documento tinha detalhes de como sequestrar ou matar pessoas importantes para o país.
Apesar de ser um plano perigoso, o general tenta se desvincular de Bolsonaro. Ele insistiu que o documento seria para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que era comandado pelo general Heleno. “A determinação foi minha ao meu chefe de gabinete, o Reginaldo Vieira de Abreu, que emitisse seis cópias. Essas seis cópias foram emitidas. O objetivo delas era apresentar ao GSI”, disse Fernandes. Ele ainda reforçou a relação de amizade com Heleno. “Não tinha nada a ver com apresentação ao Bolsonaro”, completou o general, tentando tirar Bolsonaro da cena.
A versão de que era para Heleno a minuta do tal “Punhal Verde e Amarelo”, porém, é frágil. Há várias gravações de Fernandes no celular de Mauro Cid, que era ajudante de ordem de Bolsonaro, cobrando o decreto da minuta golpista, a partir do qual o grupo poria o plano em ação. Havia até data para o assassinato de Lula, então presidente eleito: 15 de dezembro de 2022, quando ele estava num evento sindical em São Paulo.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa esse grupo de planejar ações para manter Bolsonaro no poder mesmo depois de ele ter perdido a eleição. A fala de Fernandes é uma peça importante nesse quebra-cabeça. Ele era visto como uma ponte entre os que queriam o golpe e o governo. O interrogatório do general é uma das últimas etapas do processo. A decisão sobre a culpa ou inocência dos envolvidos deve sair ainda este ano.






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