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GEOPOLÍTICA

A lei acabou. EUA confessam na ONU que força é a nova regra

Em debate sobre a Venezuela, americanos admitem que o objetivo é o petróleo e ignoram críticas

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta segunda-feira (5) para realizar o funeral do Direito Internacional. Em um ritual de retórica vazia e indignação impotente, as maiores potências do mundo, incluindo Brasil, China e Rússia, se revezaram para condenar a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, apenas para ouvirem do representante americano que a realidade não se importa com seus discursos. A lei, oficialmente, morreu. A força é a nova norma.

Enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, pedia em mensagem o “respeito à soberania”, e o embaixador brasileiro, Sérgio Danese, declarava que “a força não pode se sobrepor à lei”, o representante de Donald Trump, Mike Waltz, desfilava a arrogância do império. Ele não apenas desdenhou das críticas, classificando a invasão como uma mera “operação policial” contra um “narcotraficante”, como confessou, sem rodeios, a verdadeira motivação para a guerra: “Não se pode deixar que as maiores reservas energéticas do mundo estejam sob o controle de adversários dos Estados Unidos”.

A confissão é brutal e honesta. Não se trata de democracia, direitos humanos ou narcotráfico. Trata-se de controle de recursos. Ponto.

O agressor é o juiz

A piada macabra é que o sistema foi desenhado para ser assim. Enquanto China e Rússia denunciavam o “pisoteio da soberania” e o fato de os EUA “se autoproclamarem juízes supremos”, a realidade é que, com o poder de veto no Conselho de Segurança, o agressor é também o juiz e o júri, com o poder na mão para legitimar a própria ilegalidade.

O representante da Venezuela, Samuel Moncada, resumiu a nova ordem mundial de forma precisa: “Se o sequestro de um chefe de Estado e o bombardeio de um país soberano são tolerados, a mensagem enviada ao mundo é devastadora: o direito internacional torna-se opcional, e a força passa a ser o verdadeiro árbitro das relações internacionais”.

Até mesmo aliados tradicionais dos EUA, como França e Dinamarca, que criticaram Maduro, condenaram a invasão. Mas nada disso importa. As palavras se perdem no vento diante do fato consumado: Nicolás Maduro está em uma prisão em Nova York, e o petróleo da Venezuela está sob a mira das empresas americanas.

A reunião do Conselho de Segurança não foi convocada para resolver uma crise. Foi convocada para que o mundo pudesse assistir, em rede global, à formalização da lei da selva como o novo paradigma das relações internacionais. A ONU não falhou; ela apenas cumpriu seu papel de espectadora de luxo no enterro da ordem que um dia prometeu proteger.

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