Sem gás de graça para famílias pobres

Bolsonaristas sói trabalham para os ricos no Parlamento

Por Silvério Filho

Eles dizem defender “a família”, mas basta chegar no plenário que essa tal “família” vira fumaça — igual o gás que o pobre não consegue comprar. A MP do Gás era o mínimo do mínimo: garantir que quem vive no aperto pudesse ao menos acender o fogão sem fazer promessa. Mas aí aparecem os heróis do moralismo de palco, tais como Nikolas Ferreira e Sargento Gonçalves, levantando a espada da hipocrisia para votar contra.

Contra famílias reais. Contra gente que acorda cedo. Contra mães que contam moeda. Contra lares onde falta tudo, menos dignidade. A “família” que eles defendem é aquela do banner, do discurso, da live chorosa — não a que está aí, suando para botar um prato quente na mesa.

E é aí que mora a farsa: citam a Bíblia como se fosse senha de Wi-Fi, mas vivem desligados de tudo que ela diz. “Pelos frutos os conhecereis” (Mt 7:16) — e, meu amigo, o fruto desse voto fede mais que botijão furado. Tiago já avisava: “de que adianta dizer aquecei-vos, se vocês não dão o necessário?” (Tg 2:15-16). Pois é. Para eles, adianta curtida, adianta like, adianta lacração gospel. Para o pobre, não adianta nada.

A verdade nua, crua e vermelha como eu: quando a chance de ajudar famílias concretas aparece, eles preferem ajudar o próprio personagem. Família, para esses caras, é conceito; nunca é gente. Nunca é vizinha. Nunca é a mulher que vende quentinha. Nunca é o velho que cozinha com lenha.

No fim, sobra só isso: o povo improvisando a vida, enquanto os “defensores da família” improvisam versículos para justificar a covardia. A chama que falta no fogão dos pobres sobra na hipocrisia deles.

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