Moraes marca, desmarca — e o circo segue

Pronunciamento cancelado esconde o que importa: o Master

Por Redação
crise no STF caso Master
Alexandre de Moraes chamou a imprensa, depois desistiu: o Master continua sangrando o Supremo, enquanto Flávio Bolsonaro passa despercebido. Foto: Luiz Silveira/STF

O palco estava montado. Às 11h desta quinta-feira, Alexandre de Moraes falaria à imprensa. A TV Justiça ligaria as câmeras e cederia o material aos demais veículos. Os jornalistas se prepararam, os canais reservaram espaço, o horário correu nos plantões. E então o espetáculo foi cancelado. “Remarcada em data oportuna”, disse a assessoria. O palco ficou vazio.

A cortina que não subiu

Um dia antes, o presidente do Supremo, Edson Fachin, tinha feito o que ninguém esperava. Tirou das mãos de Moraes o inquérito das fake news, aberto em 2019 e controlado por ele por mais de sete anos. Suspendeu as decisões de André Mendonça e de Flávio Dino. Centralizou os procedimentos na Presidência da Corte. E marcou para 15 de setembro o plenário que vai decidir o destino da crise.

A convocação da fala, seguida do cancelamento, foi a resposta de quem viu o chão sair de baixo dos pés. Interlocutores do Supremo esperavam que Moraes defendesse a condução do inquérito e apresentasse sua versão. Não apresentou. Preferiu a gaveta.

O circo e o que ele esconde

Tudo começou no Banco Master. A Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro preso Daniel Vorcaro mensagens enviadas a Moraes. Mendonça retirou o sigilo. Pediu que o plenário decida se abre investigação formal contra o colega. Moraes contra-atacou usando o próprio inquérito das fake news para acusar Mendonça de abuso de autoridade. Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Dino, aliado de Moraes, reintegrou o diretor. Fachin suspendeu os dois.

O Supremo sangra em público. E a plateia, hipnotizada, aplaude a briga dos ministros como se ela fosse a notícia.

Não é.

O que a plateia não vê

Enquanto a imprensa corre atrás de cada decisão, cada afastamento, cada reintegração, a Frente Livre segue mostrando o que fica fora do palco. Os R$ 134 milhões que Flávio Bolsonaro pediu ao banqueiro preso. Os R$ 3 bilhões do Rioprevidência despejados no Master na gestão de Cláudio Castro. O relatório da PF vazado na hora exata em que o bolsonarismo precisava de munição — e as pesquisas reagindo como munição manda.

O inquérito das fake news, caçado pelo bolsonarismo desde 2019, saiu de Moraes de bandeja. Fachin devolveu a PF, mas não devolve os 30 dias de blindagem. O plenário de 15 de setembro pode até derrotar Mendonça. Não apaga o que o circo escondeu.

O dono do circo

Moraes desmarcou a fala. O circo segue. E o dono do circo — o candidato que pediu R$ 134 milhões a um banqueiro preso, enrolado até o pescoço na corrupção do Master — segue fora do palco, protegido pela cortina.

O palco ficou vazio. Mas o circo, esse, nunca fecha.

Fale conosco