Entre os brasileiros que não se dizem nem de direita, nem de esquerda, 51% se declaram contrários à anistia aos golpistas. Esta é uma das revelações contundentes da pesquisa Pulso Brasil, feita pelo instituto IPESPE. O levantamento mergulha na opinião pública brasileira a respeito da polêmica anistia para os gollpistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal. O estudo demonstra que o clamor por responsabilização está nos mais diversos setores, que rejeitam tentativas de apagar crimes contra o Estado de Direito.
A pesquisa, conduzida entre 19 e 22 de setembro de 2025, entrevistou 2.500 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, utilizando uma metodologia híbrida (telefônica e online) que assegura representatividade com margem de erro de 2,0 pontos percentuais.
A grande maioria da população brasileira se opõe firmemente a qualquer tipo de anistia para os golpistas. O relatório aponta que 46% dos entrevistados são categoricamente contra a anistia. Entre aqueles que manifestam algum grau de favorabilidade, há uma divisão: 28% defendem uma anistia geral que beneficiaria explicitamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos, enquanto 18% optam por uma anistia parcial, restrita à redução de pena apenas para indivíduos com menor grau de envolvimento nos atos antidemocráticos.
Essa fragmentação entre os “favoráveis” reforça ainda mais a preponderância do sentimento contrário, mostrando que a defesa incondicional da justiça é a tônica dominante.
Ao aprofundar a análise por posição ideológica, o rechaço à anistia se mostra ainda mais contundente.
Entre os eleitores de esquerda, 80% se posicionam contra a anistia, evidenciando um forte alinhamento com a defesa intransigente das instituições.
Já no centro político, como visto no início, 51% dos entrevistados se declaram contrários. Essa parcela do eleitorado, que muitas vezes é decisiva e reflete um espectro mais amplo da sociedade, demonstra que a questão da responsabilização transcende as divisões partidárias mais agudas.
Para os eleitores de direita, o cenário se inverte: apenas 10% se dizem contra a anistia, enquanto a maioria (64%) apoia a anistia geral e 18% a parcial.
O recall de voto no segundo turno da eleição presidencial de 2022 também oferece perspectivas cruciais.
Entre os eleitores que votaram no Presidente Lula, a oposição à anistia é quase unânime, com 74% declarando-se contra. Apenas 4% dos lulistas apoiam a anistia geral e 17% a parcial.
Em contraste, os eleitores do ex-presidente Bolsonaro mostram um apoio significativo à medida: 63% são a favor da anistia geral e 18% da anistia parcial, com apenas 9% se posicionando contra qualquer perdão.
Esses dados expõem a persistente polarização ideológica no país, mas, ao mesmo tempo, revelam que a demanda por justiça é um valor transversal. Pois até mesmo entre os eleitores de Bolsonaro a defesa da anistia geral é menor do que a oposição a ela pelos eleitores de Lula.
As reações a esses resultados podem ser antecipadas. O forte índice de rejeição, especialmente entre eleitores de centro e de esquerda, impõe uma pressão considerável sobre os parlamentares que cogitam pautar ou aprovar qualquer medida de anistia.
O projeto apresentado na Câmara dos Deputados, que vive um dos piores momentos de sua história na percepção da opinião pública, deve ser votado na próxima terça-feira. O relator, Paulino da Força (Solidariedade-SP), diz que está tentando achar um meio termo, ou seja, vai propor anistia parcial.
A pesquisa IPESPE, porém, revela que a insistência em propostas que visem blindar ou perdoar responsáveis por atos contra a democracia seria um movimento que não apenas ignoraria o clamor popular, mas também aprofundaria a crise de representatividade e a desconfiança nas instituições.
A causa dessa rejeição reside na percepção de que anistiar golpistas equivaleria a validar ações que buscaram desestabilizar o país e desrespeitar o voto popular.
[Dados da Pesquisa IPESPE sobre Anistia (Setembro 2025)]
Visão Geral (Total Brasil)
Opinião
%
Contra a anistia
46%
Apoia anistia geral (beneficia Bolsonaro)
28%
Apoia anistia parcial (redução de pena)
18%
Não sabe / não respondeu
8%
Por Posição Ideológica
Contra
Geral
Parcial
NS/NR
Esquerda (28% da amostra)
80%
3%
13%
4%
Centro (18% da amostra)
51%
16%
30%
9%
Direita (33% da amostra)
10%
64%
18%
8%
NS/NR (21% da amostra)
53%
15%
16%
17%
Por Autoidentificação de Classe Social
Classe Social
Contra
Geral
Parcial
NS/NR
Pobre (40% da amostra)
43%
27%
20%
9%
Classe Média (55% da amostra)
49%
28%
17%
7%
Rico (2% da amostra)
46%
43%
8%
3%
NS/NR (4% da amostra)
32%
32%
22%
14%
Por Recall de Voto (2º Turno Presidencial)
Voto 2º Turno
Contra
Geral
Parcial
NS/NR
LULA (44% da amostra)
74%
4%
17%
5%
BOLSONARO (38% da amostra)
9%
63%
18%
9%
NÃO VOTOU (7% da amostra)
52%
18%
19%
12%
B/N/NL/NR (11% da amostra)
59%
17%
12%
12%
| Opinião | % |
|---|---|
| Contra a anistia | 46% |
| Apoia anistia geral (beneficia Bolsonaro) | 28% |
| Apoia anistia parcial (redução de pena) | 18% |
| Não sabe / não respondeu | 8% |
Por Posição Ideológica
| Contra | Geral | Parcial | NS/NR | |
|---|---|---|---|---|
| Esquerda (28% da amostra) | 80% | 3% | 13% | 4% |
| Centro (18% da amostra) | 51% | 16% | 30% | 9% |
| Direita (33% da amostra) | 10% | 64% | 18% | 8% |
| NS/NR (21% da amostra) | 53% | 15% | 16% | 17% |
Por Autoidentificação de Classe Social
| Classe Social | Contra | Geral | Parcial | NS/NR |
|---|---|---|---|---|
| Pobre (40% da amostra) | 43% | 27% | 20% | 9% |
| Classe Média (55% da amostra) | 49% | 28% | 17% | 7% |
| Rico (2% da amostra) | 46% | 43% | 8% | 3% |
| NS/NR (4% da amostra) | 32% | 32% | 22% | 14% |
Por Recall de Voto (2º Turno Presidencial)
| Voto 2º Turno | Contra | Geral | Parcial | NS/NR |
|---|---|---|---|---|
| LULA (44% da amostra) | 74% | 4% | 17% | 5% |
| BOLSONARO (38% da amostra) | 9% | 63% | 18% | 9% |
| NÃO VOTOU (7% da amostra) | 52% | 18% | 19% | 12% |
| B/N/NL/NR (11% da amostra) | 59% | 17% | 12% | 12% |
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