Buenos Aires — O alinhamento de Javier Milei aos Estados Unidos foi formalizado em um contrato de “leão para cordeiro”. O acordo comercial assinado na quinta-feira (5) revela uma assimetria chocante: o texto impõe 113 obrigações ao governo argentino, enquanto a Casa Branca assumiu apenas dois compromissos exclusivos.
Sob o pretexto de livre mercado, o arranjo restringe a capacidade da Argentina de decidir sobre sua própria indústria e a coloca como peça no tabuleiro geopolítico de Donald Trump contra a China.
A Troca Desigual
Para vender até 100 mil toneladas de carne bovina aos EUA (uma medida que Trump usa para baixar a inflação de alimentos lá), Milei aceitou:
- Zerar tarifas para mais de 200 produtos americanos de alto valor agregado (máquinas, tecnologia, equipamentos médicos).
- Aceitar cotas de automóveis e alimentos processados dos EUA, golpeando a produção local.
- Adotar regras regulatórias de Washington, perdendo soberania sobre normas sanitárias e técnicas.
O Alvo Real: China e Lítio
O acordo vai muito além de carne e carros. As “letras miúdas” entregam a soberania sobre recursos naturais. O texto prioriza investimentos americanos na exploração de lítio e cobre e coordena a política de “minerais críticos”.
Mais grave ainda: o pacto proíbe a Argentina de comprar tecnologia sensível (como nuclear) de países “não alinhados” — um eufemismo claro para bloquear a China. Na prática, Milei inseriu a Argentina na guerra comercial americana, afastando-se de parceiros estratégicos do Sul Global.
Mercosul em Alerta
Embora o Mercosul tenha autorizado a negociação bilateral, o teor do acordo acende o sinal vermelho em Brasília. Ao escancarar as portas para produtos americanos e se alinhar às diretrizes anti-China, a Argentina cria um foco de tensão permanente com o Brasil, seu maior parceiro comercial, que busca equilíbrio nas relações internacionais.






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