Um estudo publicado na revista *Nature Communications* revela que mais da metade dos rios brasileiros está ameaçada pela perfuração de poços, com 55% deles perdendo água para aquíferos subterrâneos. A pesquisa, realizada por cientistas da USP e colegas estadunidenses, analisou 17.972 poços e apontou que o problema é mais grave em regiões secas e de intensa atividade agropecuária, como o Matopiba (Tocantins, Bahia, Piauí e Maranhão). O uso excessivo de água subterrânea para irrigação está secando rios e ameaçando a segurança hídrica e alimentar do país.
A perda de água dos rios para aquíferos subterrâneos tem impactos locais e globais. O Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, depende desses recursos hídricos para manter sua produção e garantir a segurança alimentar. Além disso, a escassez de água afeta diretamente comunidades tradicionais e pequenos agricultores, que já sofrem com o avanço do agronegócio e a monopolização dos recursos hídricos. O estudo alerta para a necessidade de políticas urgentes que equilibrem o uso da água e protejam os ecossistemas.
A pesquisa mostrou que o uso excessivo de água subterrânea, principalmente para irrigação em grandes plantações, está causando a seca de rios. Na bacia do São Francisco, por exemplo, 61% dos rios analisados estão perdendo água para o aquífero Urucuia, o segundo maior do Brasil. O avanço do agronegócio, com o aumento de pivôs centrais de irrigação, agrava o problema. Enquanto isso, pequenos agricultores, como os do oeste baiano, enfrentam dificuldades para manter suas plantações devido à escassez hídrica.
O estudo expõe a insustentabilidade do modelo agroexportador, que prioriza o lucro de grandes corporações em detrimento do meio ambiente e das comunidades locais. Enquanto o agronegócio consome quantidades absurdas de água, pequenos agricultores e comunidades tradicionais são deixados à míngua. A falta de regulamentação e a concessão desenfreada de outorgas para o uso de água subterrânea mostram como o Estado prioriza os interesses do capital em detrimento da justiça social e ambiental. É urgente repensar esse modelo e garantir o acesso equitativo à água, um direito humano básico.

A seca dos rios brasileiros é um alerta para a necessidade de mudanças profundas no uso dos recursos hídricos. Enquanto o agronegócio avança, comunidades inteiras são privadas de água, e ecossistemas vitais são destruídos. A solução passa por políticas públicas que priorizem a sustentabilidade, a justiça social e a proteção dos biomas. A água não é um recurso infinito, e seu uso deve ser democratizado, não monopolizado. O futuro do Brasil depende de escolhas que valorizem a vida, não o lucro.
Fonte: Brasil de Fato






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