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GEOPOLÍTICA

Ante o desemprego alto, Trump demite a estatística

No Brasil, reação dos bolsonaristas ao menor índice de desemprego da história (5,8% em junho), acusando o IBGE de manipulação, espelha a mesma idiotia

A recente demissão de Erika McEntarfer, comissária do Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS), por Donald Trump, gerou debates acalorados nos corredores de Washington e entre economistas. A decisão, defendida por Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, ocorreu logo após a divulgação de dados que mostravam uma desaceleração na criação de empregos em julho, além de revisões para baixo nos meses anteriores.

A taxa de desemprego subiu para 4,2% em julho, e o país criou apenas 73 mil novas vagas no mês — abaixo das expectativas dos analistas.

Em aparições na NBC e Fox News, Hassett justificou a atitude de Trump, afirmando que o presidente busca pessoas de sua confiança no comando do BLS para assegurar que os números sejam “mais transparentes e confiáveis”. Essa declaração vem após Trump ter acusado publicamente os dados de serem “manipulados” para prejudicá-lo politicamente, defendendo sua decisão como uma ação “correta”.

A nomeação de um novo comissário, prometida para os próximos dias, levanta preocupações entre economistas de diversas linhas de pensamento, que temem que a mudança possa comprometer a independência técnica e não partidária do BLS. Revisões nos dados de emprego são práticas comuns, mas Trump citou um ajuste do ano anterior, que reduziu em cerca de 818 mil o número de vagas estimadas em um período de 12 meses, como um exemplo de “padrão partidário” nas estatísticas.

Justificativas e controvérsias

Hassett negou que a demissão tenha sido uma forma de “punir o mensageiro” após os resultados negativos de julho, enfatizando que “os dados não podem ser propaganda”. Ele argumentou que revisões frequentes alimentam suspeitas sobre “possíveis vieses”, defendendo a necessidade de maior transparência e confiabilidade nos números.

[ANÁLISE – LÁ COMO CÁ]

A politização de dados estatísticos oficiais, como visto nos EUA e no Brasil, revela um absurdo preocupante. Nos Estados Unidos, a demissão da comissária do Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS), Erika McEntarfer, por Donald Trump, após um índice de desemprego maior que o esperado, é um ataque direto à independência institucional. Trump alegou, sem provas, que os números foram “manipulados” para prejudicá-lo, uma retórica que mina a credibilidade de uma agência estabelecida para fornecer dados objetivos.

Especialistas e ex-comissários do BLS criticaram veementemente a ação, alertando que ela “mina a credibilidade das estatísticas econômicas federais”, que são a base para decisões econômicas informadas. A independência de órgãos estatísticos é fundamental para garantir a imparcialidade e a confiança pública nos dados.

No Brasil, a reação de apoiadores de Jair Bolsonaro ao menor índice de desemprego da história (5,8% em junho), acusando o IBGE de manipulação, espelha essa mesma postura idiota e tática doentia de acusação.

Embora o IBGE seja o principal provedor de informações estatísticas do país e siga metodologias reconhecidas internacionalmente, a negação de dados favoráveis, quando não alinhados a narrativas políticas pré-concebidas, é igualmente danosa. Ambas as situações demonstram uma perigosa tendência de “atirar no mensageiro” quando a mensagem é inconveniente.

A tentativa de desacreditar instituições técnicas e independentes, seja por meio de demissões ou acusações de fraude, corrói a confiança pública e impede o debate baseado em fatos. A integridade dos dados é vital para a formulação de políticas públicas eficazes e para a estabilidade econômica, e sua politização é um desserviço à sociedade.

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